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ED 045
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A parcela que espera no mês 48

O financiamento com parcela balão empurra 30% do preço do carro para a última prestação, e a conta em reais mostra quanto essa troca custa.

Contrato de financiamento aberto na mesa da concessionária, com a última linha grifada e a chave do carro sobre o papel.

O contrato com a última linha grifada

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O Banco Central publica em dado aberto, toda semana, a taxa média de juros do financiamento de veículos para pessoa física (Banco Central, Sistema Gerenciador de Séries Temporais). No balcão da concessionária, a venda de carro fecha quase sempre pelo valor da prestação mensal, mesmo com a Resolução CMN 3.517, de 2007, obrigando o vendedor a informar o Custo Efetivo Total do contrato para quem assina.

As duas medidas convivem no mesmo papel e apontam para lados opostos. Uma mede o preço do crédito no contrato inteiro. A outra mede o quanto o comprador aguenta desembolsar no dia 10 de cada mês.

A parcela balão vive nessa distância. O produto também é vendido como VFG (valor futuro garantido, a fatia do preço do carro que o banco reserva para a última prestação) e aparece nas tabelas das financeiras de montadora com nomes de campanha. O desenho é sempre o mesmo: uma fração grande do valor financiado, em geral de 20% a 30% do preço do veículo, sai das prestações mensais e fica parada no fim do contrato.

O efeito imediato agrada. A prestação mensal encolhe algumas centenas de reais e o carro que estava fora do orçamento entra nele. Quem assina leva a chave no mesmo dia e passa a pagar um valor confortável.

O efeito adiado é a parcela que espera. Ela chega inteira no mês 48, com o tamanho de uma entrada de carro usado, e o comprador precisa ter o dinheiro guardado, refinanciar o saldo ou devolver o veículo para a financeira dentro das condições que o contrato descreve em letra miúda.

Entre esses dois momentos mora o custo que a prestação menor esconde. O valor que não é amortizado nos 47 meses continua rendendo juros para o banco mês a mês, e o comprador paga por esse tempo extra de dívida sem perceber a linha no boleto.

A seção I abre a estrutura do contrato com balão, mostra o que a prestação menor deixa de amortizar e por que o saldo devedor cai devagar.

Continue lendo ↓

 
 

I  Ranking do Juro

Onde o saldo devedor para de cair

O financiamento comum funciona por amortização. Cada prestação carrega duas partes: juros sobre o saldo devedor daquele mês e uma fatia do principal que abate a dívida. Quanto mais parcelas pagas, menor o saldo e menor a parte de juros dentro da prestação seguinte.

A parcela balão quebra esse ritmo de propósito. O contrato separa uma fatia do valor financiado, digamos 30% do preço do carro, e a coloca como pagamento único no vencimento final. Essa fatia não entra na amortização mensal. Ela fica no saldo devedor durante os 48 meses inteiros, gerando juros todo mês.

O comprador enxerga a prestação encolhida e conclui que o banco baixou a taxa. A taxa não mudou. O que mudou foi quanto de principal cada prestação abate, e abater menos principal significa pagar juros sobre um saldo maior por mais tempo.

O Custo Efetivo Total mostra essa diferença quando o contrato é comparado com um plano de prestações iguais na mesma taxa e no mesmo prazo. O CET reúne juros, tarifa de cadastro, registro de contrato, seguro embutido e tudo o mais que o banco cobra, expresso em percentual anual.

A prestação menor do plano com balão não vem de uma taxa melhor: ela vem de um pedaço da dívida que ninguém está pagando enquanto o carro roda.

Três contratos assinados no mesmo dia, pelo mesmo carro, com a mesma taxa mensal, terminam em lugares diferentes:

Prestações iguais em 48 mesessaldo devedor chega a zero na última parcela
Balão de 30% em 48 mesessaldo devedor de 30% do preço aguarda no mês 48
Balão de 30% com devolução do carroo veículo volta para a financeira dentro das regras de quilometragem e estado previstas no contrato

A terceira linha merece atenção redobrada. A devolução prometida na venda tem condições escritas: limite de quilometragem, laudo de avaliação, pneus, lataria e nenhuma parcela em atraso. O carro que passa do limite ou chega com avaria vira cobrança adicional, e a saída que parecia garantida se transforma numa fatura de reparos.

A próxima seção põe os dois planos lado a lado e mostra a diferença em reais no contrato completo.

 
 

II  Juro em reais

R$ 9.777 pela prestação menor

O cálculo abaixo é aritmética montada para a comparação, com números redondos e taxa fixa, para isolar o efeito do balão. Carro de R$ 90.000, entrada de R$ 18.000, valor financiado de R$ 72.000, taxa de 1,8% ao mês, prazo de 48 meses, tabela Price nos dois planos.

No plano de prestações iguais, cada uma sai por R$ 2.252,83. Multiplicadas pelas 48, somam R$ 108.135,89 pagos à financeira.

No plano com balão de 30% do preço do carro, R$ 27.000 são reservados para o vencimento final. As prestações mensais caem para R$ 1.894,02, uma redução de R$ 358,81 por mês, e o comprador ainda desembolsa os R$ 27.000 no mês 48. A soma dá R$ 117.912,93.

A diferença de um contrato para o outro é de R$ 9.777,04 na mesma taxa, pelo mesmo carro, no mesmo prazo. É o preço de carregar 30% da dívida parada durante quatro anos.

"O fornecedor de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito deve informar prévia e adequadamente o montante dos juros de mora, a taxa efetiva anual de juros, os acréscimos legalmente previstos e o número e a periodicidade das prestações."

Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078, artigo 52, 1990

R$ 358,81 a menos por mês durante 47 meses custam R$ 9.777,04 no contrato inteiro, e o boleto do mês 48 chega com R$ 27.000.

O valor da redução mensal tem um uso óbvio e pouco praticado. Se os R$ 358,81 economizados por mês forem guardados em aplicação de liquidez diária, o comprador junta R$ 16.864,07 sem rendimento nenhum em 47 meses, ainda insuficiente para os R$ 27.000 do vencimento final. Com rendimento, a soma melhora e continua curta.

Quem não guarda nada chega no mês 48 com três saídas. Pagar o balão com dinheiro que não tem, refinanciar o saldo numa nova operação de crédito com a taxa vigente naquele momento, ou devolver o veículo e encerrar o contrato conforme as condições assinadas.

O refinanciamento é a saída mais comum e a mais cara. O comprador contrata juros novos sobre um saldo que já pagou juros por quatro anos, e o carro que garante a operação vale bem menos do que valia na assinatura, o que costuma piorar a taxa oferecida.

A depreciação entra na conta sem pedir licença. Um veículo de passeio perde uma fatia relevante do valor de mercado nos primeiros quatro anos de uso, e o comprador que precisa vender para quitar o balão descobre que o preço de revenda e o valor do balão não conversam.

A seção final mostra o que perguntar na concessionária e onde conferir cada número antes da assinatura.

 

Quem banca a edição de hoje

The Company America’s Cattle Industry Needs Right Now

The U.S. cattle herd has fallen to 86.2 million head. 

That's the lowest level since 1951. And the problem isn't going away, plus ranchers face rising costs and a tightening labor market. 

Yet America still needs to produce beef. 

The equation is simple: Get more from every animal. 

DIT AgTech helps ranchers produce more with less through AI, nutrition automation and real-time data. Its infrastructure boosts herd performance while reducing labor and costs. 

Proven at scale in Australia: 

  • 500+ units deployed 

  • 370,000 head on the platform 

  • Up to 55% higher daily weight gain 

  • Up to 80% reduction in supplementation and labor costs 

What drives adoption? Ranchers get the technology free with a three-year nutrition plan. 

Removing the cost barrier allows DIT AgTech to scale adoption faster, generating more data and recurring revenue 

America needs more output from fewer cattle. DIT AgTech has built the infrastructure to make that possible.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​

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III  Porta de Saída

Quatro contas na mesa do vendedor

A decisão entre prestação confortável e contrato mais barato é sua, e ela fica muito mais fácil com quatro números na mão. Os passos abaixo cabem numa visita à concessionária e num aplicativo de banco.

1. Peça a simulação nos dois formatos, com balão e sem balão, no mesmo prazo e na mesma taxa. Exija os dois papéis impressos, com valor da prestação, quantidade de prestações, valor do pagamento final e Custo Efetivo Total em cada um. Vendedor que só apresenta o plano com prestação menor está vendendo conforto, não crédito.

2. Multiplique prestação por quantidade de prestações e some o pagamento final em cada simulação. A comparação honesta é entre esses dois totais, nunca entre as duas prestações mensais. A diferença que aparecer é o que o balão custa.

3. Confira o Custo Efetivo Total anual dos dois contratos e compare com a taxa média de financiamento de veículos que o Banco Central publica no Sistema Gerenciador de Séries Temporais. CET muito acima da média significa tarifa embutida, seguro casado ou spread alto, e todos os três são negociáveis.

4. Leia a cláusula de devolução do veículo palavra por palavra, se ela existir. Anote limite de quilometragem anual, prazo de aviso prévio, critérios de avaliação e a tabela de cobrança por avaria. Sem esses itens escritos, a devolução prometida no papo de venda não existe no contrato.

"Você compararia os dois contratos se o vendedor colocasse os dois totais na mesma folha?"

O plano com balão tem um uso legítimo e estreito. Ele serve para quem troca de carro em ciclo curto e planeja devolver o veículo no vencimento, para quem tem renda sazonal com entrada previsível de dinheiro perto do mês 48, e para quem já separou o valor do pagamento final guardado na assinatura.

Fora dessas situações, o balão financia um carro mais caro do que o orçamento aguenta, e o mês 48 cobra a conta. A pergunta que resolve a dúvida é direta: você assinaria esse mesmo contrato se a prestação fosse igual à do plano tradicional?

Se a resposta for não, o carro está acima do seu orçamento e a solução é outro carro, prazo maior com prestações iguais ou entrada maior. Nenhuma das três é tão agradável quanto a prestação encolhida, e as três custam menos.

R$ 9.777,04. Foi a diferença entre o plano com balão de 30% e o plano de prestações iguais na simulação desta edição, com R$ 72.000 financiados a 1,8% ao mês em 48 meses pela tabela Price.

 
 
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Quiz da edição

No exemplo do carro de R$ 90.000 financiado em 48 meses com balão de 30%, qual o valor que fica reservado só para o vencimento final?

AR$ 9.777,04
BR$ 18.000
CR$ 27.000
DR$ 2.252,83

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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