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Anuidade com pontos custa R$ 396 a mais em 12 meses

O cartão básico que todo banco precisa oferecer, o preço de cada benefício e o gasto mínimo para os pontos empatarem.

Dois cartões de crédito sobre uma fatura impressa, com calculadora.

Duas anuidades, o mesmo limite de compra

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A Resolução 3.919, que o Conselho Monetário Nacional aprovou em 2010 e o Banco Central fiscaliza, obriga todo emissor a oferecer um cartão de crédito básico, sem programa de pontos. A mesma resolução autoriza esse emissor a cobrar anuidade maior no cartão que dá pontos, milhas ou seguro de viagem.

As duas regras convivem na tabela de tarifas de qualquer banco grande. A primeira protege o cliente que quer só pagar compras. A segunda remunera o banco por cada benefício pendurado no plástico.

A cena desta edição usa um personagem montado para os cálculos. Rogério Almeida Pinto, 41 anos, técnico de manutenção em Curitiba, abriu conta salário num banco grande e saiu da agência com um cartão Platinum na mão.

O gerente apresentou o produto como upgrade. Rogério acumularia pontos em toda compra, teria acesso a sala VIP de aeroporto e seguro para viagem internacional. A anuidade, R$ 45 por mês, apareceu no contrato e não na conversa.

Rogério viaja de avião uma vez por ano, para visitar a mãe em Recife, e nunca saiu do país. Gasta em média R$ 2.500 por mês no cartão: mercado, farmácia, combustível e a escola do filho.

Na fatura de março, ele parou na linha da anuidade e perguntou ao atendente do chat se havia um cartão mais barato. A resposta veio em duas mensagens. Havia, chama-se cartão básico, e a anuidade dele custa R$ 12 por mês.

O básico faz o essencial: compra parcelada na loja, pagamento de contas, limite no mesmo valor. Fica sem pontos, sem sala VIP e sem seguro. No extrato do ano anterior de Rogério, nenhum desses benefícios tinha sido usado uma única vez.

Os valores de R$ 12 e R$ 45 são hipotéticos desta edição, escolhidos dentro da faixa que bancos grandes publicam nas próprias tabelas. Logo abaixo, o ranking coloca os cartões em ordem de anuidade, do mais caro ao básico, e mostra quanto cada benefício pesa no preço.

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I  Ranking do Juro

Quatro cartões em ordem de anuidade

Os bancos organizam o crédito em degraus de bandeira. Cada degrau soma benefícios e sobe a anuidade, e o cartão de entrada costuma ser o mais barato da casa depois do básico.

Na tabela hipotética desta edição, com valores mensais de anuidade de um banco grande, a ordem fica assim:

Black ou InfiniteR$ 90 por mês
PlatinumR$ 45 por mês
GoldR$ 25 por mês
BásicoR$ 12 por mês

O Black lidera porque reúne sala VIP sem limite de entradas, concierge (o atendente que reserva restaurante e viagem pelo cliente) e a melhor conversão de pontos. O Platinum, o cartão de Rogério, entrega pontos e seguro de viagem, com acesso limitado às salas de aeroporto.

O Gold costuma trazer pontos em ritmo menor e seguros simples de compra. O básico não traz programa nenhum: serve para comprar, parcelar e pagar contas, e a anuidade fica no piso da tabela.

A anuidade cresce com o benefício, e o benefício só devolve dinheiro a quem usa os pontos e as salas de verdade.

A obrigação do básico tem raiz no direito do consumidor. Vinte anos antes da resolução, o Código de Defesa do Consumidor já exigia que o cliente conhecesse preço e características de cada produto antes de contratar.

“a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem”

Congresso Nacional, Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078, artigo 6º, 1990

Na prática, o básico raramente aparece na vitrine do aplicativo. O cliente encontra o produto na tabela de tarifas publicada no site do banco, que a regulação obriga a manter acessível, ou pedindo pelo nome ao atendimento.

O contrato do Platinum divide a anuidade em 12 cobranças na fatura, e o valor mensal pequeno disfarça o total do ano. A linha aparece entre compras de mercado e de farmácia, com o mesmo peso visual de um café.

Rogério via R$ 45 todo mês e lia como uma tarifa pequena, do tamanho de uma pizza no sábado. Em três anos de cartão, ele nunca tinha multiplicado o valor por 12.

A ordem do ranking também mostra para onde o gerente empurra. O cartão de entrada que ele oferece na abertura da conta raramente é o básico, porque a anuidade maior do Platinum rende mais tarifa ao banco em cada mês de uso.

 
 

II  Juro em reais

R$ 144 contra R$ 540 por ano

Os cálculos usam as anuidades hipotéticas desta edição e o gasto de Rogério, R$ 2.500 por mês. No básico, R$ 12 por mês viram R$ 144 em 12 meses. No Platinum, R$ 45 por mês viram R$ 540.

A diferença soma R$ 396 no ano. Sobre o salário mínimo de R$ 1.518, valor de 2025 fixado pelo Decreto 12.342, de 2024, o montante equivale a 26% de um mês de renda.

Os pontos devolvem parte desse dinheiro. O Platinum hipotético desta edição converte 1 ponto por dólar gasto, e a fatura em reais vira dólar pela cotação do dia. Com o dólar a R$ 5,40, os R$ 2.500 do mês rendem 463 pontos.

Em 12 meses, Rogério junta 5.556 pontos. Trocados por passagem aérea a R$ 0,025 por ponto, valor hipotético que varia por programa e por rota, os pontos valem R$ 138,90.

Anuidade do básicoR$ 144 no ano
Anuidade do PlatinumR$ 540 no ano
Pontos do PlatinumR$ 138,90 no ano
Custo líquido do PlatinumR$ 401,10 no ano
Perda contra o básicoR$ 257,10 no ano

Mesmo com os pontos trocados, o Platinum de Rogério sai R$ 257,10 mais caro que o básico em 12 meses.

O ponto de empate existe. Para os pontos cobrirem os R$ 396 de diferença, Rogério precisaria juntar 15.840 pontos no ano, ou 1.320 por mês. Pela cotação usada aqui, o gasto mensal no cartão teria que chegar a R$ 7.128.

Esse gasto é quase o triplo do orçamento dele. Para chegar lá, Rogério teria que passar no cartão despesas que hoje paga por Pix ou boleto, como aluguel e condomínio, e muitos bancos nem aceitam essas contas no crédito sem cobrar taxa extra.

Os benefícios que não viram ponto também têm preço. A sala VIP só rende para quem embarca com frequência, e Rogério voa uma vez por ano. O seguro de viagem internacional não cobre viagem que não acontece.

Muitos bancos oferecem ainda a isenção da anuidade para quem gasta acima de um valor mínimo por mês. No Platinum desta edição, o piso hipotético é R$ 5.000, o dobro do gasto de Rogério, e a isenção nunca chegou a valer para ele.

A anuidade, por fim, só pesa no orçamento de quem paga a fatura inteira. Quem deixa saldo no rotativo (a parte da fatura que passa para o mês seguinte) paga juro mensal muito maior que qualquer anuidade, e trocar de cartão não resolve essa dívida.

 

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III  Porta de Saída

Do Platinum ao básico em um chat

Rogério trocou de cartão sem mudar de banco. O pedido levou uma conversa no chat do aplicativo e quatro passos.

1. Abra a tabela de tarifas do banco no site e procure o cartão básico pelo nome. Anote a anuidade mensal e a anual.

2. Peça pelo chat ou pela central a troca do cartão atual pelo básico, citando a Resolução 3.919 do Conselho Monetário Nacional. Guarde o número de protocolo.

3. Resgate os pontos acumulados enquanto o cartão antigo segue ativo. Pelo regulamento da maioria dos programas, ponto sem cartão ativo expira.

4. Confira a primeira fatura do básico. A anuidade nova tem que aparecer pelo valor da tabela, sem cobrança residual do Platinum.

O banco não oferece o básico na vitrine, mas precisa entregá-lo quando o cliente pede pelo nome.

Se o atendimento negar o cartão, a reclamação sobe de degrau. Primeiro vem a ouvidoria do banco, que pela Resolução 4.860 do Conselho Monetário Nacional, de 2020, tem 10 dias úteis para responder. Depois vêm o canal de reclamações do site do Banco Central e a plataforma Consumidor.gov.br.

Rogério não precisou subir de degrau. O atendente registrou a troca na mesma conversa, sem nova análise de renda, e o limite de crédito ficou igual ao do Platinum.

Os pontos acumulados antes da troca renderam a passagem de ida para Recife, resgatada na semana do pedido. O cartão novo chegou pelo correio em oito dias, com o mesmo número de conta e a anuidade de R$ 12 por mês.

O básico também tem limite. Ele não dá acesso a programa de pontos nem a seguro de compra, e quem viaja muito ao exterior pode sair perdendo na troca.

Para esse cliente, o caminho é refazer os cálculos com o próprio gasto e o próprio número de voos. Se os pontos e as salas pagam a diferença das anuidades, o cartão premium se justifica.

Quanto o seu cartão cobrou de anuidade nos últimos 12 meses?

A resposta está na linha de tarifas de cada fatura. Somadas, as 12 cobranças mostram o preço real dos benefícios que você usou, ou deixou de usar.

R$ 396. Foi quanto a anuidade do Platinum custou a mais que a do cartão básico em 12 meses, pelas tarifas hipotéticas desta edição.

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, a que valor o gasto mensal de Rogério precisaria chegar para os pontos do Platinum empatarem com a diferença de R$ 396 na anuidade?

AR$ 5.000, o piso que isentaria a anuidade
BR$ 2.500, o gasto real dele hoje
CR$ 7.128 por mês
DR$ 4.500 por mês

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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