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ED 046
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Juro zero até 3 salários por pessoa

O Fies cobra só a inflação de quem tem até 3 salários mínimos por pessoa; o P-Fies, do mesmo programa, cobra a taxa do banco.

Contrato de financiamento estudantil sobre a mesa, ao lado de um capelo de formatura dobrado e uma calculadora.

O contrato do diploma ao lado do capelo

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A Lei 13.530, de 2017, fixou juro real zero para o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) de quem tem renda familiar de até 3 salários mínimos por pessoa. A mesma lei criou o P-Fies (a modalidade do programa operada por bancos) para renda de até 5 salários mínimos por pessoa, com a taxa definida pelo banco que empresta.

As duas regras moram no mesmo programa federal, aparecem na mesma inscrição do Ministério da Educação e pagam a mensalidade do mesmo curso. Uma devolve ao governo o valor emprestado corrigido pela inflação. A outra devolve ao banco o valor emprestado somado ao preço que ele cobra pelo dinheiro.

Juro real zero quer dizer que a dívida cresce só na medida da inflação oficial. Quem tomou R$ 60.000 emprestados devolve, em poder de compra, os mesmos R$ 60.000. O governo abre mão de ganhar com a operação e banca a diferença com dinheiro público.

No P-Fies, a conta muda de natureza. O dinheiro sai de fundos constitucionais regionais e de linhas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), passa pelo balcão de um banco e chega ao estudante com juro, análise de crédito e exigência de garantia decididos pela instituição financeira.

A fronteira entre as duas modalidades é uma divisão simples: a renda bruta da família somada e repartida pelo número de moradores da casa. Uma família de quatro pessoas com 3,1 salários mínimos por cabeça já cruzou a linha e só enxerga a opção com juro de banco.

O estudante assina os dois contratos olhando para a mensalidade coberta, que é idêntica nos dois papéis. A conta completa aparece só depois da formatura, quando as prestações começam a chegar e o diploma já está pendurado na parede.

A seção I coloca as modalidades em ordem de custo, da mais barata para a mais cara, e mostra quem entra em cada uma.

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I  Ranking do Juro

Três portas com três preços

O Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), no desenho que vale desde 2018, se divide em faixas de renda, e cada faixa tem um custo diferente para quem deve. Em ordem, da mais barata para a mais cara, a fila fica assim:

Fies Social, renda de até meio salário mínimo por pessoa e inscrição no CadÚnico (cadastro federal dos programas sociais)juro real zero e até 100% da mensalidade
Fies, renda de até 3 salários mínimos por pessoajuro real zero
P-Fies, renda de até 5 salários mínimos por pessoataxa do banco

O Fies Social entrou no programa em 2024 para a faixa mais pobre. O P-Fies ficou para a família que passou da linha dos 3 salários mínimos sem ter dinheiro para pagar a faculdade à vista.

Nas duas primeiras linhas, quem empresta é a União. O Tesouro põe o dinheiro, o FG-Fies (fundo garantidor que cobre os calotes do programa) protege a operação, e o estudante paga de volta o principal corrigido pela inflação.

Durante o curso, o estudante do Fies paga a coparticipação (a parte da mensalidade que o financiamento deixa de cobrir), calculada pela renda da família. Depois da formatura, a prestação vira um percentual da renda do ex-aluno, descontado na folha de pagamento quando ele tem carteira assinada.

No P-Fies, o banco assume o risco e cobra por ele. A taxa, o prazo, a carência (o período sem prestação) e a garantia exigida saem da política de crédito de cada instituição, dentro das regras gerais do programa.

No Fies, a dívida anda com a inflação. No P-Fies, anda com a inflação e mais a margem do banco.

A diferença pesa porque a renda mede a casa, e o curso cobra a mesma mensalidade de todos. Dois colegas de sala, um com renda familiar de 2,9 salários mínimos por pessoa e outro com 3,2, sentam lado a lado pagando a faculdade com dinheiro emprestado a preços muito diferentes.

A linha dos 3 salários mínimos também se mexe com o calendário. Como o salário mínimo sobe todo ano por decreto, a renda em reais que cabe no Fies sobe com ele, e uma família que ficou de fora num semestre pode caber no seguinte.

Entrar na fila do Fies ainda depende de nota. O candidato precisa ter feito o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em alguma edição desde 2010, com média mínima de 450 pontos e nota acima de zero na redação.

A seção II monta a conta dos dois contratos em reais, com o mesmo curso e o mesmo saldo devedor.

 
 

II  Juro em reais

R$ 43 mil de diferença no diploma

A simulação abaixo é aritmética montada para comparar as modalidades, com números redondos e inflação zerada, para mostrar só o efeito do juro. Curso com R$ 60.000 financiados, saldo devedor de R$ 60.000 na formatura e pagamento em 120 prestações pela tabela Price (o sistema de prestações fixas).

No Fies com juro real zero, os R$ 60.000 voltam ao governo como R$ 60.000 em poder de compra. Divididos por 120 meses, dão R$ 500 por mês, corrigidos só pela inflação.

No P-Fies, com uma taxa ilustrativa de 1% ao mês acima da inflação, as mesmas 120 prestações sobem para R$ 860,83. Somadas, chegam a R$ 103.299,08.

A distância entre os contratos fica em R$ 43.299,08 pelo mesmo curso, na mesma faculdade, com o mesmo diploma na parede. É o preço do dinheiro do banco durante dez anos.

Se a taxa for de 1,5% ao mês, a prestação vai a R$ 1.081,11 e a soma a R$ 129.733,34, mais do que o dobro do valor financiado.

Com inflação acima de zero, os dois contratos sobem na mesma proporção, e a distância entre eles cresce em reais nominais.

"A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho."

Constituição Federal, artigo 205, 1988

R$ 360,83 por mês separam as duas prestações, e em dez anos essa distância soma R$ 43.299,08.

Na vida real, o saldo do P-Fies cresce também durante o curso, porque o banco pode cobrar juro sobre o valor liberado a cada semestre. A simulação começou na formatura e, por esse corte, mostra a menor diferença possível entre as duas modalidades.

O Fies tem uma proteção que o P-Fies não repete. Como a prestação acompanha a renda do ex-aluno, quem ganha pouco paga pouco e o prazo se estica. No P-Fies, a prestação é fixa e chega igual no mês do emprego novo e no mês do desemprego.

O peso aparece na primeira década de carreira. Um recém-formado com salário inicial de R$ 3.000 comprometeria 29% da renda só com a prestação do P-Fies da simulação, sem contar aluguel, comida e transporte.

A seção III mostra como descobrir em qual faixa a sua família cai e o que conferir no contrato do banco.

 

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III  Porta de Saída

Cinco contas na inscrição do MEC

A escolha entre as modalidades quase nunca é livre, porque a renda da família decide a porta. A margem de manobra está em calcular a renda certa, conhecer as alternativas sem juro e ler o contrato do banco com a soma das prestações na mão.

1. Calcule a renda por pessoa. Some a renda bruta mensal de todos os moradores da casa e divida pelo número deles. Compare com 3 salários mínimos do ano da inscrição: abaixo da linha, a porta é o Fies com juro real zero.

2. Inscreva-se no processo seletivo pelo Portal Acesso Único do Ministério da Educação, na janela aberta a cada semestre. Quem cabe no Fies e no P-Fies concorre primeiro às vagas com juro real zero.

3. Se a renda passar de 3 e ficar até 5 salários mínimos por pessoa, peça ao banco a simulação do P-Fies por escrito, com taxa mensal, prazo, carência e Custo Efetivo Total (CET, o percentual que soma juro, tarifa e seguro).

4. Multiplique a prestação pelo número de prestações e compare com o saldo financiado. A diferença é o juro que o diploma carrega, e ela vale mais do que qualquer valor mensal no papel.

5. Confira o Prouni (Programa Universidade para Todos). Com renda de até 3 salários mínimos por pessoa, a bolsa parcial de 50% corta metade da mensalidade sem juro nenhum, e ela pode ser combinada com o Fies no restante.

"Você assinaria o P-Fies se a faculdade mostrasse a soma das 120 prestações ao lado da mensalidade?"

O P-Fies tem uso legítimo. Serve para quem ficou acima da linha dos 3 salários mínimos, não tem reserva para pagar o curso e conseguiu no banco uma taxa próxima da de um crédito com garantia.

Fora dessas condições, as saídas custam menos: faculdade com mensalidade menor, bolsa da própria instituição ou um semestre de espera para refazer a conta da renda com o salário mínimo novo.

Quem já assinou o P-Fies ainda tem margem. A quitação antecipada, total ou parcial, com redução proporcional dos juros é direito garantido pelo Código de Defesa do Consumidor em qualquer crédito, e cada mês cortado do contrato devolve juro ao bolso.

R$ 43.299,08. Foi a diferença entre o Fies com juro real zero e o P-Fies a 1% ao mês na simulação desta edição, com R$ 60.000 financiados em 120 prestações pela tabela Price.

 
 
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Quiz da edição

Na simulação da edição, com R$ 60.000 financiados e pagos em 120 prestações pela tabela Price, qual é a prestação mensal do P-Fies com taxa ilustrativa de 1% ao mês acima da inflação?

AR$ 360,83
BR$ 500,00
CR$ 860,83
DR$ 1.081,11

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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