|
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
O Banco Central já publicou a taxa do seu banco
A taxa média de cada instituição por modalidade sai toda semana no site do supervisor, e ela vira benchmark na renegociação.
|
A linha da taxa média, grifada
|
| ▼ |
| |
|
O Banco Central publica a taxa média de juros de cada instituição financeira, modalidade por modalidade, com cada banco nomeado na própria linha, na série Taxas de Juros de Operações de Crédito. No mesmo sistema, a proposta que chega ao cliente pelo aplicativo não traz nenhuma linha comparando a taxa oferecida com a média que aquela instituição pratica naquela modalidade.
A publicação existe desde a era do Selic eletrônico e hoje mora numa página pública, sem cadastro, sem senha e sem custo. Ela separa o crédito por modalidade, porque taxa de consignado e taxa de cheque especial não conversam entre si, e dentro de cada modalidade ordena as instituições da menor média para a maior.
O número que aparece ali sai das operações que a instituição efetivamente contratou no período apurado e reportou ao supervisor, então descreve o que aquele banco cobrou de verdade de clientes de carne e osso naquela linha de crédito.
Duas informações mudam a conversa com o gerente. A primeira é a média da sua própria instituição na modalidade do seu contrato, porque ela mostra o que a casa aceita praticar. A segunda é o intervalo entre a instituição mais barata e a mais cara da lista, porque ele revela quanto do custo depende da porta em que você bateu, não do seu perfil de risco.
A publicação também traz a taxa ao ano ao lado da taxa ao mês, e a distância entre as duas costuma surpreender quem só olhou a parcela. Um crédito pessoal a 3% ao mês fecha o ano perto de 42,6%, porque o juro compõe sobre o próprio juro a cada trinta dias.
Quem entra na renegociação sem esses dois números negocia contra uma tabela que só o outro lado enxerga. Quem entra com eles impressos transforma um pedido de desconto num pedido de alinhamento a um dado público que a própria instituição reportou.
Montamos a leitura do ranking em três camadas: onde a dispersão entre instituições é maior, quanto essa dispersão custa em reais num contrato de tamanho comum, e o roteiro para levar o número ao balcão.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I Ranking do Juro
A distância entre a ponta barata e a ponta cara
|
|
A série do Banco Central organiza o crédito de pessoa física em modalidades fechadas: consignado para aposentados e pensionistas do INSS, consignado para trabalhadores do setor privado, crédito pessoal não consignado, aquisição de veículos, cheque especial e rotativo do cartão. Cada modalidade tem sua própria lista de instituições, e a comparação só vale dentro da lista. A consulta leva menos tempo que a espera na fila do caixa, e o resultado cabe numa folha impressa que você leva para a agência dentro do envelope do contrato, junto com a data da apuração.
Comparar entre modalidades diferentes produz conclusão errada. Um consignado a 1,7% ao mês e um crédito pessoal a 5,9% ao mês não competem pelo mesmo dinheiro: um tem desconto em folha e garantia de fluxo, o outro não tem nenhuma das duas. A pergunta útil se repete dentro de cada linha: quanto o meu banco cobra nessa modalidade, e quanto cobra o mais barato dela.
A dispersão dentro de uma única modalidade costuma ser maior que a diferença entre bancos famosos e bancos desconhecidos. A ponta cara e a ponta barata da mesma lista atendem o mesmo tipo de cliente.
Para tornar a leitura concreta, montamos um exemplo com taxas hipotéticas dentro das faixas que o ranking costuma exibir, para mostrar o tamanho do intervalo, não para cravar o número de nenhuma instituição:
| Consignado INSS | 1,60% a 1,85% ao mês · intervalo 0,25 ponto | | Consignado privado | 1,90% a 3,40% ao mês · intervalo 1,50 ponto | | Aquisição de veículos | 1,45% a 2,60% ao mês · intervalo 1,15 ponto | | Crédito pessoal não consignado | 3,20% a 9,80% ao mês · intervalo 6,60 pontos | | Cheque especial | 4,50% a 8,00% ao mês · intervalo 3,50 pontos |
A leitura que salta do exemplo é o crédito pessoal não consignado. Ele reúne a maior dispersão porque cada instituição precifica risco do seu jeito e nenhuma garantia amarra a taxa a um piso comum. Quem tem margem de negociação real tem margem justamente ali.
O consignado do INSS aparece do outro lado. O intervalo curto vem de um teto regulatório fixado pelo Conselho Nacional de Previdência Social, que limita a taxa máxima do produto para todo o mercado, então sobra pouco espaço entre a instituição mais barata e a mais cara.
|
A conclusão prática da camada é de ordem: primeiro descubra se a sua modalidade tem dispersão grande ou pequena, porque ela define se vale mais negociar a taxa com o banco atual ou portar o contrato para outra instituição. Modalidade com intervalo curto premia negociação; modalidade com intervalo largo premia portabilidade. O intervalo publicado também muda de tamanho ao longo do ano, então vale repetir a consulta a cada renegociação, e não guardar o número de uma apuração antiga como se ele valesse para sempre no mesmo banco.
|
|
|
|
|
|
II Juro em reais
Meio ponto ao mês em R$ 20.000 vira quanto
|
|
O caso do dia é um crédito pessoal de R$ 20.000 em 24 parcelas, o formato mais comum de contrato que entra em renegociação, com a taxa expressa ao mês e o juro composto correndo sobre o saldo devedor.
A conta serve para responder a pergunta que trava a maioria das conversas de balcão: meio ponto percentual ao mês parece pouco no papel, e vale quanto no bolso ao fim do contrato.
Rodamos a simulação com Tabela Price, prazo fixo de 24 meses, sem seguro e sem tarifa de abertura, variando apenas a taxa mensal:
| 2,50% ao mês | parcela R$ 1.118,26 · total R$ 26.838,15 | | 3,00% ao mês | parcela R$ 1.180,95 · total R$ 28.342,76 | | 3,50% ao mês | parcela R$ 1.245,46 · total R$ 29.890,96 | | 4,50% ao mês | parcela R$ 1.379,74 · total R$ 33.113,77 | | 5,90% ao mês | parcela R$ 1.578,88 · total R$ 37.893,23 |
|
Meio ponto ao mês entre 2,50% e 3,00% custa R$ 1.504,61 em 24 meses sobre R$ 20.000. O mesmo empréstimo, o mesmo prazo, o mesmo pagador.
|
O salto de 2,50% para 5,90% ao mês, distância que cabe dentro de uma única modalidade no ranking do supervisor, transforma R$ 26.838,15 em R$ 37.893,23. A diferença de R$ 11.055,08 corresponde a mais da metade do valor tomado, e nenhuma linha do contrato explica ao cliente que ela existia.
|
"O que você mede é o que você obtém."
Robert Kaplan e David Norton, Harvard Business Review, 1992
|
A assimetria de informação tem endereço. O banco conhece a média própria, a média dos concorrentes e a faixa que o cliente aceita sem reclamar; o cliente conhece apenas a parcela que cabe no mês. Levar a média publicada para a mesa desfaz a assimetria em um movimento só, porque o dado veio da própria instituição.
Existe um segundo uso do número. A taxa média serve também para conferir uma proposta nova antes da assinatura, e não só para renegociar contrato velho. Cinco minutos de consulta na página do supervisor separam uma oferta dentro da média de uma oferta na ponta cara da mesma lista.
Vale registrar o limite honesto da comparação. A média é média: ela agrega contratos de prazos, garantias e perfis diferentes, e a sua proposta pode ficar legitimamente acima dela se o prazo for mais longo ou a garantia for menor. A média não prova abuso, ela dá referência para exigir explicação.
|
|
|