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ED 009

O carro troca de banco e devolve R$ 2.184

A portabilidade vale para financiamento de veículo em andamento: o gravame muda de credor no Detran, e o carro fica na garagem o tempo todo.

Chave de carro com chaveiro de couro sobre o documento do veículo dobrado, sob uma faixa de luz vinho numa garagem escura.

A chave sobre o documento do carro

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No campo de observações do documento do carro que está na sua garagem existe uma linha curta: alienação fiduciária, seguida do nome de um banco.

Enquanto a última parcela não cai, a propriedade do veículo é do credor e a posse é sua. Você dirige, abastece, paga o IPVA e leva na revisão, e o registro continua no nome de quem financiou.

Essa separação entre posse e propriedade é o que derruba o preço do financiamento de veículo em relação ao crédito pessoal. O banco empresta mais barato porque tem um bem registrado no fim da linha.

A mesma separação trava a saída na cabeça de quem paga. A garantia parece presa ao carro, e trocar de banco parece exigir mexer no carro.

A garantia não é uma corrente na roda. Ela é um registro eletrônico, o gravame, anotado na repartição que licencia o veículo e consultado por qualquer instituição do país.

Registro se transfere. A portabilidade de crédito vale para operação em andamento, e o financiamento com alienação fiduciária entra nela como qualquer outra dívida de pessoa física.

O contrato não é refeito do zero e o veículo não muda de dono. O banco novo paga o saldo ao banco antigo, registra o gravame no lugar dele e passa a receber as parcelas que faltavam.

O carro não vai a leilão, não passa por transferência de propriedade e não sai da garagem. O que anda é um dado no sistema de gravames, e ele anda entre as duas instituições.

O passo que abre a operação também não pede nada do veículo. Ele pede um número, e o número mora no banco atual: o saldo de quitação calculado para hoje.

Esse valor é menor que a soma das parcelas que faltam, porque juro que ainda não correu não pode ser cobrado na quitação antecipada.

O caso do dia tem R$ 32.000,00 de saldo devedor e 24 parcelas pela frente, a 1,89% ao mês. A conta começa pelo lugar que essa taxa ocupa entre as instituições que financiam o mesmo carro.

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I  Ranking do Juro

1,89% e 1,29% no mesmo carro

A faixa praticada no financiamento de veículo com alienação fiduciária vai de 1,29% a 2,19% ao mês entre bancos, financeiras e cooperativas. As duas pontas olham para o mesmo carro, com a mesma garantia registrada e o mesmo prazo.

A garantia não muda de qualidade quando a taxa muda de tamanho. O bem é o mesmo, o gravame é o mesmo e a consequência da inadimplência é a mesma em qualquer das pontas.

O que separa uma ponta da outra é o preço do dinheiro dentro de cada instituição e o custo de quem vendeu o contrato.

O financiamento de veículo quase nunca é contratado num banco. Ele é contratado no balcão da loja, junto com a cor do carro, o tapete e o emplacamento.

A mesa de negócios da concessionária trabalha como correspondente do banco e é remunerada por contrato fechado. A remuneração sai do próprio contrato, e a taxa é o lugar onde ela cabe.

No dia da compra, a decisão em jogo era o carro. A taxa entrou como um detalhe da papelada, e ela continua correndo anos depois que a compra terminou.

Sair de 1,89% para 1,29% ao mês, no mesmo carro, com o mesmo saldo e o mesmo número de parcelas, tira R$ 111,99 de cada uma das 24 parcelas que faltam.

Em taxa anual, 1,89% ao mês viram 25,19% e 1,29% ao mês viram 16,63%. Os 0,60 ponto percentual do mês abrem 8,56 pontos no ano.

A ponta cara da faixa, de 2,19% ao mês, chega a 29,69% ao ano sobre o mesmo veículo e a mesma garantia.

O ranking dessa operação não se ordena pela taxa anunciada na vitrine nem pelo valor da parcela isolado. Ele se ordena pela parcela nova calculada sobre o mesmo saldo, com o mesmo número de parcelas restantes.

A trava do número de parcelas é o que mantém a comparação de pé. Sem ela, a proposta mais confortável é sempre a que empurra o fim do contrato para mais longe.

Com R$ 32.000,00 de saldo, uma proposta a 1,29% ao mês em 36 parcelas mostra R$ 1.116,83 por mês, contra R$ 1.670,87 do contrato atual.

A parcela caiu R$ 554,04 e o contrato inteiro subiu. As 36 parcelas somam R$ 40.205,88, e as 24 do contrato antigo, a 1,89% ao mês, somam R$ 40.100,88.

Taxa menor com prazo maior devolveu parcela mais leve e total mais caro. Alongar prazo é refinanciamento, e portabilidade é trocar o preço mantendo o prazo.

Peça a proposta com o mesmo número de parcelas em todas as instituições consultadas, e peça o custo efetivo total ao lado da taxa mensal. Sem essas duas travas, o ranking se desmancha na primeira tela.

 
 

II  Juro em reais

R$ 2.687 brutos, R$ 2.184 no bolso

O caso do dia é um financiamento em andamento, com R$ 32.000,00 de saldo devedor e 24 parcelas pela frente, a 1,89% ao mês.

A parcela atual é de R$ 1.670,87. Multiplicada pelas 24 que faltam, ela devolve R$ 40.100,88 ao banco.

Com o mesmo saldo, o mesmo prazo e o mesmo carro, a 1,29% ao mês a parcela sai por R$ 1.558,88, e as 24 somam R$ 37.413,12.

As 24 parcelas antigas carregam R$ 8.100,88 de juros e as 24 novas carregam R$ 5.413,12. O carro é o mesmo, a garantia é a mesma e o prazo é o mesmo.

A diferença é de R$ 111,99 por mês e de R$ 2.687,76 no contrato inteiro. Nenhum real dela veio de prazo maior, de troco na conta ou de desconto na loja.

Outra leitura do mesmo par de números: cada R$ 1,00 de saldo devedor volta ao banco como R$ 1,25 a 1,89% ao mês e como R$ 1,17 a 1,29% ao mês.

A troca tem custo, e ele não aparece na tela que mostra a parcela nova: o gravame antigo precisa ser baixado e um novo precisa ser registrado.

No caso do dia, a taxa estadual de registro do contrato saiu por R$ 313,76, e o banco novo cobrou R$ 190,00 pela avaliação do veículo. Os dois somam R$ 503,76.

A economia bruta de R$ 2.687,76 menos os R$ 503,76 da troca deixa R$ 2.184,00 líquidos, e o custo se paga na quinta parcela depois da mudança.

A conta cabe em quatro passos e roda com o contrato aberto.

1. Peça ao banco atual o saldo de quitação para hoje, e não a soma das parcelas que faltam. Um número é a dívida; o outro é a dívida somada ao juro que ainda não correu.

2. Peça a parcela nova por escrito em dois ou três bancos, sempre com o mesmo saldo e o mesmo número de parcelas. A resposta do caso foi R$ 1.558,88.

3. Multiplique a diferença pelas parcelas restantes. R$ 111,99 vezes 24 dão R$ 2.687,76.

4. Subtraia o registro do gravame e a avaliação do veículo. R$ 2.687,76 menos R$ 503,76 dão R$ 2.184,00, e esse é o número que decide a troca.

"Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor, com escopo de garantia, transfere ao credor. § 1º Constitui-se a propriedade fiduciária com o registro do contrato [...] em se tratando de veículos, na repartição competente para o licenciamento, fazendo-se a anotação no certificado de registro. § 2º Com a constituição da propriedade fiduciária, dá-se o desdobramento da posse, tornando-se o devedor possuidor direto da coisa."

Código Civil, Lei nº 10.406, art. 1.361, 2002

O artigo guarda os dois fatos que sustentam a operação. A garantia se constitui por registro na repartição que licencia o veículo, e a posse direta fica com quem paga as parcelas.

Trocar de credor é refazer esse registro. O banco que recebe a quitação libera o gravame, o banco que pagou registra o dele, e a anotação passa a exibir outro nome no documento do carro.

Em nenhum momento a posse direta muda de lugar. O veículo continua com você, rodando, licenciado no seu nome e estacionado onde sempre esteve.

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III  Porta de Saída

Peça o saldo de quitação hoje

A operação inteira começa num número que só o banco atual calcula, e ele não aparece no aplicativo por padrão.

1. Peça o saldo de quitação para hoje, por escrito e com protocolo, pelo aplicativo ou pela central do banco que financiou. Peça junto a data de validade do valor, porque ele muda a cada dia que passa.

2. Leve o saldo de quitação, o documento do veículo e a placa a dois ou três bancos, e peça proposta de portabilidade com o mesmo número de parcelas. O pedido nasce no banco de destino, que solicita as informações ao banco de origem.

3. Exija por escrito taxa mensal, prazo, valor da parcela, custo efetivo total, custo do registro do gravame e custo da avaliação. Proposta que só existe na fala do gerente não entra na comparação.

O carro não muda de dono, não muda de garagem e não passa por transferência de propriedade. Quem muda de credor é o gravame anotado no documento do veículo.

A quitação antecipada não é favor do banco. Ela é direito do consumidor, com redução proporcional dos juros que deixam de correr, e o valor precisa vir discriminado no documento entregue.

O dinheiro nunca passa pela sua conta. A instituição nova liquida o saldo na antiga, e a parcela muda de banco e de valor no mês seguinte.

O banco atual não decide se a troca acontece. A Resolução 4.292 do Conselho Monetário Nacional trata a portabilidade como direito do cliente, proíbe tarifa pela transferência e dá cinco dias úteis para o credor original devolver as informações do contrato.

A avaliação do veículo é o passo que trava a operação quando algo está pendente. Débito de licenciamento, multa em aberto, restrição administrativa ou dado de chassi divergente derrubam a análise antes da proposta chegar.

Resolva as pendências antes de pedir a portabilidade. Um bloqueio de R$ 200,00 no Detran segura uma troca que vale R$ 2.184,00.

Contrato com menos de seis parcelas pela frente raramente compensa. O juro que ainda vai correr é pequeno, e o custo do registro come a diferença antes de o desconto aparecer na parcela.

Depois da troca, confira o documento do veículo no mês seguinte. Tem que existir um gravame só, com o nome do banco novo, e o débito automático da parcela antiga precisa aparecer cancelado.

Dois descontos no mesmo mês pedem reclamação no mesmo dia, com protocolo na ouvidoria do banco antigo. Gravame duplicado no Detran também, porque ele segura a venda do carro depois da quitação.

"Quanto vale hoje o saldo de quitação do carro que está na sua garagem?"

 
 
Quiz da edição

Com R$ 32.000,00 de saldo devedor e 24 parcelas pela frente, quanto sobra ao sair de 1,89% para 1,29% ao mês, já descontados os custos da troca?

AR$ 2.687,76, porque o registro do novo gravame é gratuito na portabilidade
BR$ 2.184,00, depois dos R$ 503,76 de registro e avaliação do veículo
CR$ 554,04, a queda da parcela quando o contrato vai para 36 meses
DNada, porque o veículo precisa ser transferido para o banco novo

Defenda seu título de Vigia (3 acertos seguidos garantem o primeiro).

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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