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O Pix parcelado cobra até R$ 709 em R$ 1.200
O Pix parcelado é crédito com taxa de 2,79% a 7,99% ao mês, e a mesma compra de R$ 1.200 em 12 vezes muda de preço conforme o banco.
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A tela de parcelamento aberta no balcão
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O Pix nasceu como transferência instantânea e gratuita entre contas. O dinheiro sai da sua conta, chega na conta do outro em segundos, e não existe nenhum contrato de crédito no meio do caminho.
O Pix parcelado usa o mesmo nome e o mesmo botão, mas é outro produto. O banco paga o valor cheio para o recebedor na hora e depois cobra de você em prestações, com juro embutido em cada uma delas.
A confusão não é acidente do leitor. A tela do aplicativo apresenta a opção logo abaixo do Pix comum, com a mesma cor e o mesmo ícone, e o número que aparece grande é o valor da parcela, nunca a taxa.
Do ponto de vista do banco, a operação é um empréstimo pessoal com destino amarrado. Ele libera crédito, assume o risco de você não pagar, e cobra por isso. Do seu ponto de vista na tela, parece só uma forma de pagamento.
Essa diferença de moldura tem consequência prática imediata. Quem parcela um Pix está contratando crédito sem passar por nenhuma tela que diga a palavra empréstimo, e sem comparar preço com nada.
E preço aqui varia muito. Não existe uma taxa de Pix parcelado no Brasil, existe a taxa que cada instituição decide cobrar do seu CPF, com base no relacionamento, no histórico e no apetite de risco dela.
Duas pessoas na fila do mesmo caixa, pagando o mesmo valor pela mesma mercadoria, podem sair de lá com dívidas de tamanhos bem diferentes, decididas apenas pelo aplicativo que cada uma abriu.
A tela que você abre é a única variável que você controla de graça, e é justamente a que ninguém compara antes de confirmar.
O ranking que abre a edição de hoje ordena as instituições por uma coluna só: quanto de juro sai do seu bolso numa compra de R$ 1.200,00 parcelada em 12 vezes.
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I Ranking do Juro
De 2,79% a 7,99% na mesma tela
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O Pix parcelado é uma linha de crédito pré-aprovada que o banco oferece dentro da área de pagamento, com a taxa definida por instituição e por cliente, não por regra única de mercado.
A faixa praticada é larga. As ofertas que circulam hoje vão de cerca de 2,79% ao mês nos bancos com relacionamento de folha até perto de 8% ao mês em carteiras digitais, no mesmo valor e no mesmo prazo.
Uma diferença de cinco pontos percentuais ao mês soa abstrata escrita assim. Ela deixa de soar abstrata quando vira o total de juro pago sobre uma compra pequena, daquelas que ninguém considera dívida.
O caso do dia é simples de reproduzir: uma compra de R$ 1.200,00 paga por Pix, parcelada em 12 vezes, sem entrada, na tela do próprio banco.
O ranking dessa operação não se ordena pelo tamanho da parcela nem pela velocidade da aprovação. Ele se ordena por quanto de juro sai do seu bolso até a última prestação.
Ordenadas assim, as rotas para os mesmos R$ 1.200,00 em 12 meses ficam nesta sequência:
| Banco público com relacionamento de folha, 2,79% ao mês | R$ 228,58 de juro | | Banco digital de conta gratuita, 2,99% ao mês | R$ 245,79 de juro | | Banco de varejo tradicional, 3,99% ao mês | R$ 333,46 de juro | | Banco de varejo em faixa alta, 5,29% ao mês | R$ 451,37 de juro | | Carteira digital de aplicativo, 7,99% ao mês | R$ 709,82 de juro |
A primeira linha e a última cobrem a mesma mercadoria, no mesmo prazo, com o mesmo CPF do outro lado. O que muda é a instituição que financia e a taxa que ela decidiu praticar com você.
A taxa que cada banco oferece também não é fixa dentro da mesma instituição. Cliente com salário depositado ali, investimento na casa e fatura em dia recebe oferta mais barata do que quem só usa a conta para receber e sacar.
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A comparação útil, então, não é a taxa anunciada na propaganda, é a taxa que aparece na sua tela, no seu valor, no seu prazo, com o seu login. Ela é gratuita de consultar e some da memória em segundos.
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Simule a mesma compra em cada aplicativo que você tem antes de confirmar qualquer parcelamento. Sem os números lado a lado, a parcela sozinha não diz qual instituição está mais barata.
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II Juro em reais
R$ 481 de diferença em R$ 1.200
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A compra do caso do dia é de R$ 1.200,00, o tipo de valor que sai da conta sem reunião familiar: uma geladeira usada, um conserto de carro, uma passagem comprada com pressa.
Na taxa de 2,79% ao mês, a parcela fica em R$ 119,05 e o total pago chega a R$ 1.428,58. Na taxa de 7,99% ao mês, a parcela vai para R$ 159,15 e o total pago chega a R$ 1.909,82.
A distância entre as duas telas, na mesma compra, é de R$ 481,24. É quase metade de uma parcela extra por mês durante um ano inteiro, decidida no segundo em que você escolheu qual aplicativo abrir.
Os números da comparação, separados um por linha, ficam assim:
| Valor da compra paga por Pix | R$ 1.200,00 | | Parcela na taxa de 2,79% ao mês | R$ 119,05 | | Total pago na taxa de 2,79% ao mês | R$ 1.428,58 | | Parcela na taxa de 7,99% ao mês | R$ 159,15 | | Total pago na taxa de 7,99% ao mês | R$ 1.909,82 | | Diferença de juro entre as duas | R$ 481,24 |
A parcela de R$ 159,15 nunca aparece na tela com um aviso de que ela custa R$ 481,24 a mais que a alternativa. O aplicativo mostra o valor mensal, o número de vezes e um botão de confirmar.
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O que a tela deveria mostrar antes do botão não é opinião de especialista, é obrigação escrita na lei que rege a relação de consumo em qualquer concessão de crédito no país.
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"No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de financiamento ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informá-lo prévia e adequadamente sobre: preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional; montante dos juros de mora e da taxa efetiva anual de juros; acréscimos legalmente previstos; número e periodicidade das prestações; soma total a pagar, com e sem financiamento."
Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, art. 52, 1990
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O item que quase nunca aparece em destaque é o último: a soma total a pagar, com e sem financiamento. Ele é o único número que expõe o preço do crédito em reais, e é o mais fácil de esconder atrás da parcela.
Existe ainda um custo que a taxa mensal não conta sozinha. O custo efetivo total soma tarifa de contratação, seguro embutido quando houver e o imposto sobre operações financeiras, e é ele que fecha a conta do que a operação custa de verdade.
Por isso duas ofertas com a mesma taxa mensal podem terminar com totais diferentes. Uma delas carrega tarifa e seguro dentro do contrato, e a outra não, sem que a tela avise qual é qual.
A regra prática que resolve a comparação é curta: some o valor da parcela vezes o número de parcelas e compare esse total com o preço à vista da compra. A diferença entre os dois é o preço do crédito.
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