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ED 027
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O refinanciamento devolve R$ 3.075 de troco e cobra R$ 8.050

A parcela continua em R$ 463,59, o contrato volta a 84 meses e o total pago ao banco sobe R$ 11.126,09.

Um contrato de consignado com a linha do prazo grifada a caneta ao lado de um maço fino de notas, sob uma faixa de luz vinho.

O contrato reaberto no prazo cheio

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Orefinanciamento de um consignado deposita dinheiro novo na conta do tomador sem mexer em um centavo da parcela descontada do benefício, e a Lei 10.820, de 2003, é o que garante esse desconto direto na fonte pagadora. O mesmo contrato refinanciado termina com R$ 11.126,09 a mais pagos ao banco, conforme a simulação que rodamos a 1,80% ao mês sobre um empréstimo de R$ 20.000 em 84 parcelas. As duas frases descrevem a mesma assinatura.

A operação tem apelido de rua: troco. O banco liga oferecendo dinheiro, o aposentado atende, e a proposta chega numa frase curta: você tem crédito liberado e a sua parcela continua igual. Nenhuma das duas partes está mentindo. O dinheiro cai mesmo, e a parcela fica mesmo do tamanho que já estava.

A mecânica por baixo é simples de descrever. O banco calcula quanto falta do contrato antigo, quita esse saldo devedor com ele mesmo, abre um contrato novo pelo prazo máximo permitido e credita ao tomador a sobra entre o valor do contrato novo e o saldo que acabou de quitar. Essa sobra é o troco.

O que se move na operação não é o valor da prestação, é o calendário. Quem já tinha pago vinte e quatro parcelas de um contrato de oitenta e quatro estava a sessenta meses do fim. Depois de assinar o refinanciamento, volta a estar a oitenta e quatro meses do fim. Os vinte e quatro pagamentos que ficaram para trás continuam pagos, e não encurtam nada do que vem pela frente.

O olho do tomador é treinado para vigiar a prestação, porque é ela que aperta o mês. O crédito consignado tem margem definida sobre o benefício, e enquanto a parcela couber na margem a operação parece neutra. O preço não aparece na prestação, ele aparece na quantidade de prestações.

Pegamos um consignado de R$ 20.000 contratado em 84 parcelas, com 24 já pagas, e refinanciamos a mesma dívida em seis balcões de taxa diferente para ver quanto de troco cada um devolve e quanto de juro cada um adiciona.

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I  Ranking do Juro

Seis balcões devolvem trocos que não se parecem

Todas as linhas do ranking abaixo repetem a mesma situação de partida: um consignado de R$ 20.000 contratado a 1,80% ao mês em 84 parcelas de R$ 463,59, com 24 parcelas já pagas e saldo devedor de R$ 16.924,34. O tomador refinancia mantendo a prestação intacta e o prazo volta ao teto de 84 meses. Muda apenas a taxa mensal do balcão que assume o contrato novo.

Com a parcela travada em R$ 463,59 e o prazo reaberto em 84 meses, o total a pagar dali para frente é sempre R$ 38.941,63. A taxa do balcão decide só uma coisa: quanto dessa mesma soma volta para o bolso do tomador como troco.

Ordenado do balcão que devolve mais troco para o que devolve menos, com o juro que a extensão do prazo adiciona em cada caso:

Cooperativa de crédito, 1,49% ao mêstroco R$ 5.206,68 · juro R$ 5.919,50
Banco público pagador do benefício, 1,66% ao mêstroco R$ 3.997,67 · juro R$ 7.128,52
Banco de varejo no teto do consignado, 1,80% ao mêstroco R$ 3.075,66 · juro R$ 8.050,52
Banco digital com portabilidade, 1,99% ao mêstroco R$ 1.920,83 · juro R$ 9.205,36
Financeira parceira de correspondente, 2,15% ao mêstroco R$ 1.026,65 · juro R$ 10.099,53
Correspondente bancário de rua, 2,34% ao mêstroco R$ 48,64 · juro R$ 11.077,54

Traduzido em preço unitário, cada R$ 1,00 de troco custa R$ 1,14 de juro na cooperativa, R$ 2,62 no banco de varejo e R$ 227,70 no correspondente de rua. A última linha é o retrato de uma operação que reabre seis anos de contrato para entregar menos de cinquenta reais.

O ranking também explica por que a ligação de oferta insiste tanto. A remuneração do correspondente sai da taxa do contrato novo, o desconto vem da folha ou do benefício sem risco de calote, e a aprovação depende só da margem consignável. Quanto mais alta a taxa que o tomador aceita, menor o troco que ele recebe e maior a comissão paga na ponta.

A comparação fica limpa porque a garantia é idêntica em todas as linhas. O crédito consignado desconta a prestação antes de o dinheiro chegar ao titular, e a inadimplência dessa carteira é a menor do crédito para pessoa física justamente por causa desse desenho. A taxa alta das últimas linhas não está cobrando risco, está cobrando distração.

Um aviso de leitura antes de seguir. Cada instituição publica tabela própria, as taxas mudam mês a mês, e o custo efetivo total sempre fica acima do juro anunciado porque carrega imposto sobre operação financeira e tarifas. A mecânica é que não muda: prazo reaberto no teto, prestação intacta, sobra creditada.

 
 

II  Juro em reais

R$ 8.050 de juro para receber R$ 3.075 na conta

O caso do dia é o refinanciamento no balcão do meio, um banco de varejo operando no teto de 1,80% ao mês. O tomador tem um consignado de R$ 20.000 em 84 parcelas de R$ 463,59, pagou 24 delas e devia R$ 16.924,34 quando atendeu a ligação.

O contrato novo é aberto por R$ 20.000,00 pela mesma taxa e pelo mesmo prazo de 84 meses, porque a prestação que cabe na margem é a mesma de antes. O banco usa R$ 16.924,34 para quitar o saldo antigo e credita a sobra de R$ 3.075,66 na conta do tomador.

Os números da operação, um por linha, ficam assim:

Saldo devedor do contrato antigoR$ 16.924,34
Parcelas que ainda faltavam60, de R$ 463,59
Soma que restava pagarR$ 27.815,45
Valor do contrato novoR$ 20.000,00
Troco creditado na contaR$ 3.075,66
Prazo do contrato novo84 meses, de novo
Parcela do contrato novoR$ 463,59
Soma a pagar do refinanciamentoR$ 38.941,63
Juro adicionado pela extensão do prazoR$ 8.050,52
Total pago ao banco nos dois contratosR$ 50.067,72

O par de linhas que decide a operação é a soma que restava e a soma que passa a valer. O tomador devia R$ 27.815,45 até o fim, recebeu R$ 3.075,66 no bolso e passou a dever R$ 38.941,63. A conta fecha em R$ 8.050,52 de juro novo por um troco que não paga nem metade disso.

Cada R$ 1,00 recebido nessa operação custa R$ 2,62 de juro, e o tomador não vê o preço porque ele não está na prestação, está nas 24 prestações extras que voltaram para o calendário.

O tomador tem direito a ver a soma total antes de assinar, e o texto que garante o direito é anterior a qualquer regra de consignado.

"No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de financiamento ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informá-lo prévia e adequadamente sobre a soma total a pagar, com e sem financiamento."

Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, art. 52, 1990

A soma total a pagar é o campo que resolve a decisão em dez segundos, e é justamente o campo que a proposta enviada por aplicativo ou lida por telefone costuma omitir. A ligação informa o valor do troco e o valor da parcela, dois números que soam bem, e cala sobre o terceiro.

Há um agravante de idade que raramente entra na conversa. Consignado de aposentado refinanciado no teto empurra o fim do contrato para oitenta e quatro meses adiante, e boa parte dos tomadores tem mais de setenta anos quando assina. O contrato passa a atravessar um horizonte em que a renda do benefício segue comprometida sem folga para uma emergência de saúde ou uma reforma em casa.

Peça a proposta escrita com o saldo devedor atual, o valor do contrato novo, a soma total a pagar e o custo efetivo total, e leia os quatro campos juntos antes de autorizar. Autorização verbal por telefone vale contrato, e a Lei 10.820, de 2003, exige autorização expressa do titular para o desconto, não a assinatura de um papel na sua frente.

 

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III  Porta de Saída

Como medir o troco antes de dizer sim

O refinanciamento se resolve com cinco movimentos objetivos, feitos antes de aceitar qualquer proposta que chegue por ligação, aplicativo ou mensagem.

1. Peça o saldo devedor atualizado do contrato antigo e a soma que ainda falta pagar nele. Sem esses dois valores na mão, qualquer proposta parece boa, porque falta o ponto de partida da comparação.

2. Some as prestações do contrato novo e subtraia a soma que ainda faltava no antigo. O que sobrar é o preço do troco em reais. Divida esse preço pelo valor do troco e você tem quanto custa cada real recebido.

3. Recuse proposta que não informe a soma total a pagar. Taxa mensal e valor da parcela, sozinhos, escondem o prazo, e o prazo é o que carrega o custo inteiro da operação.

4. Cote a mesma operação na cooperativa e no banco pagador do benefício antes de responder ao correspondente. A garantia é idêntica nos três, o troco creditado varia em milhares de reais, e a cotação leva quinze minutos de aplicativo.

5. Confira se o dinheiro tem destino melhor que o crédito que ele substitui. Troco de refinanciamento a 1,80% ao mês que apaga rotativo de cartão a 14% ao mês é economia grande. Troco para consumo que pode esperar é aluguel de dinheiro caro por seis anos.

"Quantas prestações a mais você aceitaria pagar pelo dinheiro que vai cair na sua conta amanhã?"

Existe um caminho de saída para quem já assinou. O Código de Defesa do Consumidor assegura a liquidação antecipada do débito, total ou parcial, com redução proporcional dos juros, e a portabilidade do consignado para uma instituição de taxa menor é operação regulada e gratuita. Qualquer valor aplicado no abatimento do saldo devedor derruba prestações do fim do contrato, que é onde mora o juro mais caro. R$ 2,62 de juro para cada R$ 1,00 de troco. Foi o preço da operação a 1,80% ao mês na simulação de um consignado de R$ 20.000 refinanciado após 24 parcelas.

 
 
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No comparativo entre seis balcões que refinanciam o mesmo consignado de R$ 20.000 mantendo a parcela intacta, qual instituição devolve o MAIOR troco ao tomador?

ACorrespondente bancário de rua, a 2,34% ao mês
BCooperativa de crédito, a 1,49% ao mês
CBanco de varejo no teto do consignado, a 1,80% ao mês
DFinanceira parceira de correspondente, a 2,15% ao mês

Resultado da última edição: 0% acertaram.

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