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ED 005

O score 912 que não derruba a sua taxa

Score mede a chance de pagamento e não o preço do dinheiro, e nos mesmos R$ 10 mil a garantia separa uma parcela de R$ 519 de outra de R$ 796.

Um mostrador analógico de ponteiro com a agulha no fim da escala, ao lado de um carimbo sobre papel timbrado, sob luz vinho numa mesa escura.

O ponteiro no fim da escala, e o carimbo ao lado

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O aplicativo abre num número grande: 912 de 1000. Ao lado dele, uma barra quase cheia, a palavra excelente e um empréstimo pré-aprovado de R$ 10 mil.

A oferta que aparece embaixo do 912 sai a 6% ao mês. O mesmo CPF, na mesma manhã, na mesma tela, carrega duas informações que parecem brigar entre si.

O número alto não é erro de cálculo, e a taxa alta não é castigo. As duas respondem a perguntas diferentes, e só uma delas fala de preço.

O score responde à pergunta do risco: qual a chance de esse CPF pagar as contas em dia nos próximos meses. É uma probabilidade estimada, publicada numa escala de 0 a 1000.

A taxa responde à pergunta do custo: quanto custa emprestar esse dinheiro, nesse prazo, com essa garantia, para quem já compromete uma parte da renda com outras parcelas.

Um banco pode acreditar que você paga e ainda assim cobrar 6% ao mês. Acreditar no pagamento resolve o sim da aprovação, e o sim da aprovação não é o preço da operação.

O mesmo CPF tem mais de um score no mesmo dia. Cada birô roda um modelo próprio, com bases diferentes, e a nota muda de tela para tela sem que nada tenha mudado na sua vida.

Nenhuma dessas notas é tabela de preço. Elas são estimativas de comportamento, vendidas a quem decide conceder crédito, e cada instituição usa a estimativa do jeito que quiser.

Consultar a própria pontuação não custa nada. A consulta é gratuita por lei, e o plano pago do aplicativo não muda o número que o modelo calcula.

A confusão tem endereço certo. O anúncio de aplicativo financeiro vende pontuação como se fosse desconto, com promessa de taxa menor assim que a barra encher.

Score alto abre porta, amplia limite e reduz a chance de recusa. Ele não troca a linha de crédito que você escolheu, e a linha é quem carrega o preço.

A edição de hoje começa pela distância entre as linhas disponíveis pro mesmo CPF, com a mesma pontuação em todas elas.

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I  Ranking do Juro

Do 1,85% ao 15% com o mesmo score

O score entra na análise e decide bem menos do que o anúncio promete. A ordem das taxas disponíveis pro mesmo CPF é definida antes de qualquer consulta, pela linha escolhida e pela garantia que ela exige.

O score é uma probabilidade de pagamento nos próximos meses, numa escala de 0 a 1000. Ele nasce do histórico registrado no seu CPF: contas pagas em dia, dívidas em aberto, consultas recentes e os dados do Cadastro Positivo.

A escala não tem unidade monetária. Ela ordena pessoas por risco estimado e para por aí, sem dizer quanto custa o dinheiro em nenhuma linha de crédito.

O ranking das taxas para o mesmo CPF é outro documento. No topo dele fica o rotativo do cartão, perto de 15% ao mês, contratado sem pedido e sem análise.

Logo abaixo vem o cheque especial, com teto de 8% ao mês desde 2020. Depois o crédito pessoal não consignado, que ronda 6% ao mês na média publicada pelo Banco Central.

Mais embaixo aparece o financiamento de veículo, perto de 2% ao mês, com o carro em garantia dentro do contrato. O consignado do INSS tem teto de 1,85% ao mês, com a parcela descontada do benefício.

No fim da fila fica o crédito com garantia de investimento, na casa de 1,2% ao mês, com o seu próprio CDB bloqueado como colateral.

Uma pontuação de 912 não muda o preço do rotativo nem o preço do consignado. Ela muda a chance de você conseguir contratar cada um dos dois, e a distância entre as duas pontas do ranking passa de dez vezes.

O que separa 1,85% de 15% ao mês não é comportamento de pagamento. É a garantia: no consignado a parcela sai da folha antes de o salário cair na conta, e no rotativo não existe nada para o banco recuperar.

Depois da garantia vem o prazo. Contrato longo carrega mais incerteza sobre renda, emprego e inflação, e o banco cobra por cada mês adicional de exposição.

Depois do prazo vem a renda comprometida. A instituição soma as parcelas que já saem do seu salário e compara com o que sobra, antes de decidir a taxa e o limite.

O preço também carrega custos que não são seus. Captação, inadimplência esperada da carteira, despesas administrativas e tributos entram na conta antes da margem do banco.

O Banco Central decompõe esse spread todo ano no Relatório de Economia Bancária. A inadimplência esperada responde por perto de um terço, e o restante se divide entre despesas, tributos e margem.

A conta da inadimplência é feita por carteira, não por cliente. Você paga o preço do grupo de risco em que a linha te coloca, mesmo pagando tudo em dia há uma década.

Por causa dessa mecânica, o bom pagador do crédito pessoal financia o mau pagador do crédito pessoal. Sair do grupo caro exige trocar de linha, não subir de pontuação.

 
 

II  Juro em reais

R$ 6.648 de diferença nos mesmos R$ 10 mil

Pegue o mesmo pedido nas duas pontas do ranking. R$ 10.000 em 24 parcelas, o mesmo CPF, a mesma pontuação de 912 na tela do birô.

No crédito pessoal não consignado, a 6% ao mês, a parcela sai por R$ 796,79. Vinte e quatro delas somam R$ 19.123.

No consignado, a 1,85% ao mês, a parcela do mesmo valor cai para R$ 519,77. Vinte e quatro delas somam R$ 12.475.

Os mesmos R$ 10 mil custam R$ 9.123 de juros no crédito pessoal e R$ 2.475 no consignado. A diferença de R$ 6.648 não passa por pontuação nenhuma: ela passa pelo desconto em folha.

A comparação entre duas propostas cabe em cinco passos e roda antes da assinatura.

1. Anote o valor que cai na conta, não o valor do contrato. Tarifa de cadastro e seguro embutido saem antes de o dinheiro chegar até você.

2. Multiplique a parcela pelo número de parcelas. R$ 796,79 vezes 24 dão R$ 19.123 no crédito pessoal.

3. Subtraia o valor liberado. R$ 19.123 menos R$ 10.000 dão R$ 9.123 de custo total da operação.

4. Divida o custo pelo valor liberado. Os R$ 9.123 equivalem a 91% do dinheiro que você pegou, em dois anos.

5. Repita a conta com a outra proposta e compare os dois custos totais. Comparar parcela com parcela esconde o prazo, e o prazo é metade do problema.

"As instituições financeiras e as sociedades de arrendamento mercantil, previamente à contratação de operações de crédito e de arrendamento mercantil financeiro com pessoas físicas, devem informar o custo total da operação, expresso na forma de taxa percentual anual."

Resolução CMN nº 3.517, art. 1º, 2007

A norma tem quase vinte anos e obriga o número a aparecer antes da assinatura. O custo efetivo total segue como o campo menos lido de toda simulação de crédito.

O prazo muda o resultado sozinho, com a taxa parada. Os mesmos R$ 10 mil a 6% ao mês custam R$ 4.313 de juros em 12 parcelas e R$ 9.123 em 24.

Em 36 parcelas, a mesma taxa e o mesmo valor cobram R$ 14.622 de juros. A parcela cai de R$ 1.193 para R$ 684, e o custo total mais que triplica.

A parcela menor é o argumento que fecha a venda, e é o único número que a proposta destaca em corpo grande.

A renda comprometida fecha o cerco. A parcela de R$ 796 pesa perto de 27% de uma renda líquida de R$ 3.000, e boa parte das instituições para de emprestar quando o total das parcelas passa de 30%.

Quem já tem um financiamento rodando chega nesse teto antes de a análise de risco começar. Com pontuação de 912, a resposta que volta é uma taxa pior ou um prazo mais longo, nunca um desconto.

Em reais, na conta do exemplo, os R$ 6.648 são o preço de não ter oferecido garantia nenhuma.

 
 

III  Porta de Saída

Ofereça garantia antes de pedir taxa

A saída começa por uma troca de linha, e ela vale mais do que qualquer negociação de número.

1. Peça a linha com garantia antes de aceitar o pré-aprovado. Consignado, crédito com garantia de investimento e crédito com garantia de imóvel são contratados por pedido, e nenhum deles aparece sozinho na tela inicial do aplicativo.

2. Exija o custo efetivo total por escrito nas duas propostas. O CET reúne juros, tarifas, seguro e imposto numa taxa só, e é o único número que permite comparar bancos diferentes.

3. Ajuste o prazo até a parcela caber em 30% da renda líquida, e pare por aí. Prazo mais longo derruba a parcela e engorda o juro, sempre nessa ordem.

A portabilidade cobre o contrato que já existe. A Resolução 4.292 do Conselho Monetário Nacional garante a troca de banco com a mesma dívida, e o pedido começa na instituição nova.

Vale separar o que mexe no número do birô do que não mexe. Pagar contas em dia, quitar pendências e manter o Cadastro Positivo ativo movem a pontuação, com semanas de distância entre o pagamento e a atualização.

Nenhum serviço pago altera o modelo do birô. O que altera é o pagamento registrado no seu CPF, e esse registro é gratuito, automático e não depende de assinatura nenhuma.

A entrada no Cadastro Positivo virou automática em 2019, com a Lei Complementar 166. Não existe cadastro premium com nota melhor, nem fila preferencial para quem paga mensalidade.

O anúncio que promete pontuação em trinta dias cobra por uma coisa que já é sua e sai de graça. A consulta ao próprio score, o histórico e a lista de dívidas abertas estão disponíveis sem custo em cada birô.

Registro negativo legítimo também tem prazo próprio. O Código de Defesa do Consumidor limita a cinco anos a permanência da informação negativa no cadastro, e nenhum serviço encurta esse relógio.

A Súmula 550 do Superior Tribunal de Justiça, de 2015, garante o direito de pedir esclarecimento sobre as fontes dos dados considerados e sobre as informações pessoais valoradas no cálculo.

O pedido cabe numa frase e vale para banco e birô. Quais dados foram usados, qual o CET da proposta, qual garantia derruba a taxa e qual prazo mínimo o contrato aceita.

Na hora de contratar, a ordem das perguntas importa. Comece pela garantia que você pode oferecer, e a taxa aparece já na resposta seguinte.

"Qual foi a última vez que você perguntou o custo efetivo total antes de aceitar uma parcela que cabia no mês?"

 
 
Quiz da edição

Os mesmos R$ 10 mil em 24 parcelas, com o mesmo score, saem a 6% ao mês no crédito pessoal e a 1,85% no consignado. Quanto muda no total de juros?

ANada, porque a pontuação alta iguala as duas taxas
BCerca de R$ 600, o equivalente a uma parcela
CCerca de R$ 6.648, quase dois terços do valor tomado
DCerca de R$ 20 mil, porque o consignado não cobra juros

Defenda seu título de Vigia (3 acertos seguidos garantem o primeiro).

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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