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O score 912 que não derruba a sua taxa
Score mede a chance de pagamento e não o preço do dinheiro, e nos mesmos R$ 10 mil a garantia separa uma parcela de R$ 519 de outra de R$ 796.
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O ponteiro no fim da escala, e o carimbo ao lado
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O aplicativo abre num número grande: 912 de 1000. Ao lado dele, uma barra quase cheia, a palavra excelente e um empréstimo pré-aprovado de R$ 10 mil.
A oferta que aparece embaixo do 912 sai a 6% ao mês. O mesmo CPF, na mesma manhã, na mesma tela, carrega duas informações que parecem brigar entre si.
O número alto não é erro de cálculo, e a taxa alta não é castigo. As duas respondem a perguntas diferentes, e só uma delas fala de preço.
O score responde à pergunta do risco: qual a chance de esse CPF pagar as contas em dia nos próximos meses. É uma probabilidade estimada, publicada numa escala de 0 a 1000.
A taxa responde à pergunta do custo: quanto custa emprestar esse dinheiro, nesse prazo, com essa garantia, para quem já compromete uma parte da renda com outras parcelas.
Um banco pode acreditar que você paga e ainda assim cobrar 6% ao mês. Acreditar no pagamento resolve o sim da aprovação, e o sim da aprovação não é o preço da operação.
O mesmo CPF tem mais de um score no mesmo dia. Cada birô roda um modelo próprio, com bases diferentes, e a nota muda de tela para tela sem que nada tenha mudado na sua vida.
Nenhuma dessas notas é tabela de preço. Elas são estimativas de comportamento, vendidas a quem decide conceder crédito, e cada instituição usa a estimativa do jeito que quiser.
Consultar a própria pontuação não custa nada. A consulta é gratuita por lei, e o plano pago do aplicativo não muda o número que o modelo calcula.
A confusão tem endereço certo. O anúncio de aplicativo financeiro vende pontuação como se fosse desconto, com promessa de taxa menor assim que a barra encher.
Score alto abre porta, amplia limite e reduz a chance de recusa. Ele não troca a linha de crédito que você escolheu, e a linha é quem carrega o preço.
A edição de hoje começa pela distância entre as linhas disponíveis pro mesmo CPF, com a mesma pontuação em todas elas.
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I Ranking do Juro
Do 1,85% ao 15% com o mesmo score
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O score entra na análise e decide bem menos do que o anúncio promete. A ordem das taxas disponíveis pro mesmo CPF é definida antes de qualquer consulta, pela linha escolhida e pela garantia que ela exige.
O score é uma probabilidade de pagamento nos próximos meses, numa escala de 0 a 1000. Ele nasce do histórico registrado no seu CPF: contas pagas em dia, dívidas em aberto, consultas recentes e os dados do Cadastro Positivo.
A escala não tem unidade monetária. Ela ordena pessoas por risco estimado e para por aí, sem dizer quanto custa o dinheiro em nenhuma linha de crédito.
O ranking das taxas para o mesmo CPF é outro documento. No topo dele fica o rotativo do cartão, perto de 15% ao mês, contratado sem pedido e sem análise.
Logo abaixo vem o cheque especial, com teto de 8% ao mês desde 2020. Depois o crédito pessoal não consignado, que ronda 6% ao mês na média publicada pelo Banco Central.
Mais embaixo aparece o financiamento de veículo, perto de 2% ao mês, com o carro em garantia dentro do contrato. O consignado do INSS tem teto de 1,85% ao mês, com a parcela descontada do benefício.
No fim da fila fica o crédito com garantia de investimento, na casa de 1,2% ao mês, com o seu próprio CDB bloqueado como colateral.
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Uma pontuação de 912 não muda o preço do rotativo nem o preço do consignado. Ela muda a chance de você conseguir contratar cada um dos dois, e a distância entre as duas pontas do ranking passa de dez vezes.
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O que separa 1,85% de 15% ao mês não é comportamento de pagamento. É a garantia: no consignado a parcela sai da folha antes de o salário cair na conta, e no rotativo não existe nada para o banco recuperar.
Depois da garantia vem o prazo. Contrato longo carrega mais incerteza sobre renda, emprego e inflação, e o banco cobra por cada mês adicional de exposição.
Depois do prazo vem a renda comprometida. A instituição soma as parcelas que já saem do seu salário e compara com o que sobra, antes de decidir a taxa e o limite.
O preço também carrega custos que não são seus. Captação, inadimplência esperada da carteira, despesas administrativas e tributos entram na conta antes da margem do banco.
O Banco Central decompõe esse spread todo ano no Relatório de Economia Bancária. A inadimplência esperada responde por perto de um terço, e o restante se divide entre despesas, tributos e margem.
A conta da inadimplência é feita por carteira, não por cliente. Você paga o preço do grupo de risco em que a linha te coloca, mesmo pagando tudo em dia há uma década.
Por causa dessa mecânica, o bom pagador do crédito pessoal financia o mau pagador do crédito pessoal. Sair do grupo caro exige trocar de linha, não subir de pontuação.
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II Juro em reais
R$ 6.648 de diferença nos mesmos R$ 10 mil
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Pegue o mesmo pedido nas duas pontas do ranking. R$ 10.000 em 24 parcelas, o mesmo CPF, a mesma pontuação de 912 na tela do birô.
No crédito pessoal não consignado, a 6% ao mês, a parcela sai por R$ 796,79. Vinte e quatro delas somam R$ 19.123.
No consignado, a 1,85% ao mês, a parcela do mesmo valor cai para R$ 519,77. Vinte e quatro delas somam R$ 12.475.
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Os mesmos R$ 10 mil custam R$ 9.123 de juros no crédito pessoal e R$ 2.475 no consignado. A diferença de R$ 6.648 não passa por pontuação nenhuma: ela passa pelo desconto em folha.
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A comparação entre duas propostas cabe em cinco passos e roda antes da assinatura.
1. Anote o valor que cai na conta, não o valor do contrato. Tarifa de cadastro e seguro embutido saem antes de o dinheiro chegar até você.
2. Multiplique a parcela pelo número de parcelas. R$ 796,79 vezes 24 dão R$ 19.123 no crédito pessoal.
3. Subtraia o valor liberado. R$ 19.123 menos R$ 10.000 dão R$ 9.123 de custo total da operação.
4. Divida o custo pelo valor liberado. Os R$ 9.123 equivalem a 91% do dinheiro que você pegou, em dois anos.
5. Repita a conta com a outra proposta e compare os dois custos totais. Comparar parcela com parcela esconde o prazo, e o prazo é metade do problema.
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"As instituições financeiras e as sociedades de arrendamento mercantil, previamente à contratação de operações de crédito e de arrendamento mercantil financeiro com pessoas físicas, devem informar o custo total da operação, expresso na forma de taxa percentual anual."
Resolução CMN nº 3.517, art. 1º, 2007
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A norma tem quase vinte anos e obriga o número a aparecer antes da assinatura. O custo efetivo total segue como o campo menos lido de toda simulação de crédito.
O prazo muda o resultado sozinho, com a taxa parada. Os mesmos R$ 10 mil a 6% ao mês custam R$ 4.313 de juros em 12 parcelas e R$ 9.123 em 24.
Em 36 parcelas, a mesma taxa e o mesmo valor cobram R$ 14.622 de juros. A parcela cai de R$ 1.193 para R$ 684, e o custo total mais que triplica.
A parcela menor é o argumento que fecha a venda, e é o único número que a proposta destaca em corpo grande.
A renda comprometida fecha o cerco. A parcela de R$ 796 pesa perto de 27% de uma renda líquida de R$ 3.000, e boa parte das instituições para de emprestar quando o total das parcelas passa de 30%.
Quem já tem um financiamento rodando chega nesse teto antes de a análise de risco começar. Com pontuação de 912, a resposta que volta é uma taxa pior ou um prazo mais longo, nunca um desconto.
Em reais, na conta do exemplo, os R$ 6.648 são o preço de não ter oferecido garantia nenhuma.
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III Porta de Saída
Ofereça garantia antes de pedir taxa
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A saída começa por uma troca de linha, e ela vale mais do que qualquer negociação de número.
1. Peça a linha com garantia antes de aceitar o pré-aprovado. Consignado, crédito com garantia de investimento e crédito com garantia de imóvel são contratados por pedido, e nenhum deles aparece sozinho na tela inicial do aplicativo.
2. Exija o custo efetivo total por escrito nas duas propostas. O CET reúne juros, tarifas, seguro e imposto numa taxa só, e é o único número que permite comparar bancos diferentes.
3. Ajuste o prazo até a parcela caber em 30% da renda líquida, e pare por aí. Prazo mais longo derruba a parcela e engorda o juro, sempre nessa ordem.
A portabilidade cobre o contrato que já existe. A Resolução 4.292 do Conselho Monetário Nacional garante a troca de banco com a mesma dívida, e o pedido começa na instituição nova.
Vale separar o que mexe no número do birô do que não mexe. Pagar contas em dia, quitar pendências e manter o Cadastro Positivo ativo movem a pontuação, com semanas de distância entre o pagamento e a atualização.
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Nenhum serviço pago altera o modelo do birô. O que altera é o pagamento registrado no seu CPF, e esse registro é gratuito, automático e não depende de assinatura nenhuma.
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A entrada no Cadastro Positivo virou automática em 2019, com a Lei Complementar 166. Não existe cadastro premium com nota melhor, nem fila preferencial para quem paga mensalidade.
O anúncio que promete pontuação em trinta dias cobra por uma coisa que já é sua e sai de graça. A consulta ao próprio score, o histórico e a lista de dívidas abertas estão disponíveis sem custo em cada birô.
Registro negativo legítimo também tem prazo próprio. O Código de Defesa do Consumidor limita a cinco anos a permanência da informação negativa no cadastro, e nenhum serviço encurta esse relógio.
A Súmula 550 do Superior Tribunal de Justiça, de 2015, garante o direito de pedir esclarecimento sobre as fontes dos dados considerados e sobre as informações pessoais valoradas no cálculo.
O pedido cabe numa frase e vale para banco e birô. Quais dados foram usados, qual o CET da proposta, qual garantia derruba a taxa e qual prazo mínimo o contrato aceita.
Na hora de contratar, a ordem das perguntas importa. Comece pela garantia que você pode oferecer, e a taxa aparece já na resposta seguinte.
"Qual foi a última vez que você perguntou o custo efetivo total antes de aceitar uma parcela que cabia no mês?"
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Quiz da edição
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Os mesmos R$ 10 mil em 24 parcelas, com o mesmo score, saem a 6% ao mês no crédito pessoal e a 1,85% no consignado. Quanto muda no total de juros?
Defenda seu título de Vigia (3 acertos seguidos garantem o primeiro).
Veja o ranking de quem mais acerta →
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