|
|
O seguro de R$ 320 que sai por R$ 785 no fim
O prêmio do prestamista é somado ao valor financiado, e a taxa do empréstimo passa a incidir sobre ele até a última parcela.
|
A apólice somada ao valor financiado
|
| ▼ |
| |
|
O contrato de empréstimo tem uma linha que quase ninguém lê em voz alta na hora de assinar. Ela costuma vir logo abaixo do valor solicitado, com um nome técnico e um número pequeno ao lado: prêmio do seguro prestamista.
O seguro prestamista existe para quitar o saldo devedor caso o contratante morra ou fique permanentemente incapacitado de trabalhar. É um produto legítimo, vendido por seguradoras registradas, e em alguns casos ele resolve um problema real de família.
O que muda tudo não é o produto, é o lugar onde ele é cobrado. O prêmio raramente sai da sua conta como uma despesa separada. Ele é somado ao valor que o banco vai financiar.
A partir desse ponto, o seguro deixa de ser uma despesa e vira dívida. E dívida, em crédito pessoal, não fica parada: ela rende a mesma taxa mensal que você contratou para o empréstimo, mês a mês, até a última parcela.
Quem pediu R$ 8.000,00 e recebeu R$ 8.000,00 na conta não financiou R$ 8.000,00. Financiou o valor pedido mais o prêmio da apólice, e paga juro sobre a soma dos dois.
O detalhe seguinte é o que separa esta conta de qualquer outra taxa embutida: o seguro não é um custo fixo que aparece uma vez. Ele é um custo que cresce com o prazo do contrato, porque a taxa continua correndo sobre ele.
Existe ainda a parte jurídica, que a tela do aplicativo não conta. A contratação do seguro prestamista é opcional. Nenhuma instituição pode condicionar a liberação do crédito à compra da apólice, e o Banco Central mantém canal de reclamação específico para isso.
Na prática, a opção quase nunca é exercida. O seguro chega marcado por padrão na simulação, some dentro do custo efetivo total e reaparece só na parcela, já diluído no mesmo boleto que paga o principal.
A abertura de hoje ordena as combinações de taxa e prazo por uma coluna só: quanto um mesmo prêmio de R$ 320,00 custa até o fim do contrato, dependendo de onde ele foi financiado.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I Ranking do Juro
De R$ 401 a R$ 785 sobre o mesmo prêmio
|
|
O seguro prestamista é cobrado em prêmio único, calculado como um percentual do valor financiado no momento da contratação. Ele não é mensal, não é renovado e não muda depois que o contrato é assinado.
O percentual muda muito de casa para casa. No consignado ele costuma ficar perto de 1,5% do valor financiado, no crédito pessoal de varejo gira em torno de 4%, e em linha emergencial de aplicativo passa fácil de 6%.
Sobre R$ 8.000,00 pedidos, essas faixas dão prêmios que vão de R$ 120,00 a R$ 560,00. Já é uma diferença grande, mas ela ainda não é o número que importa.
O número que importa aparece depois, quando o prêmio entra no valor financiado e passa a ser tratado como qualquer outro real emprestado. A partir daí, ele é multiplicado pela taxa e pelo prazo.
Para isolar essa mecânica, o ranking de hoje fixa o prêmio em R$ 320,00, o valor típico do crédito pessoal de varejo, e varia só a taxa e o número de parcelas.
Financiado em cada combinação, o mesmo prêmio de R$ 320,00 termina o contrato assim:
| Consignado, 1,89% ao mês em 24 parcelas | R$ 401,01 | | Crédito com garantia, 2,39% ao mês em 24 parcelas | R$ 424,21 | | Crédito de varejo, 2,99% ao mês em 24 parcelas | R$ 453,00 | | Crédito de varejo, 2,99% ao mês em 48 parcelas | R$ 606,79 | | Crédito sem garantia, 4,49% ao mês em 48 parcelas | R$ 785,01 |
As cinco linhas descrevem a mesma apólice, com a mesma cobertura, do mesmo valor de prêmio. O que muda é a taxa que corre sobre ela e o tempo que ela fica dentro do contrato.
Na última linha, o seguro contratado por R$ 320,00 sai por R$ 785,01. O beneficiário da apólice recebe exatamente a mesma coisa que receberia na primeira linha, e você paga R$ 384,00 a mais pelo mesmo produto.
Repare no que o prazo faz aqui. Entre a terceira e a quarta linha, a taxa é idêntica e só o prazo dobra: o custo do mesmo seguro pula de R$ 453,00 para R$ 606,79, sem que nenhuma cobertura tenha sido acrescentada.
|
É por essa razão que o prestamista fica mais caro justamente onde o crédito já é mais caro. Ele não tem preço próprio no fim da conta: o preço final dele é herdado da taxa do empréstimo.
|
Quando a proposta chegar, a pergunta certa não é quanto custa o seguro. É quanto custa o seguro depois de financiado pela taxa e pelo prazo que estão nessa mesma tela.
|
|
|
|
|
II Juro em reais
R$ 453 pagos por um seguro de R$ 320
|
|
O caso do dia usa a linha do meio do ranking, a mais comum na prática: R$ 8.000,00 solicitados no crédito pessoal de banco de varejo, a 2,99% ao mês, para pagar em 24 parcelas.
O prêmio do prestamista, a 4% do valor financiado, sai por R$ 320,00. Ele não é debitado da conta e não reduz o valor liberado: o banco financia R$ 8.320,00 e deposita os R$ 8.000,00 pedidos.
Sem o seguro, a parcela sai por R$ 471,87 e o total pago chega a R$ 11.324,89. Com o seguro dentro do financiado, a parcela vira R$ 490,75 e o total sobe para R$ 11.777,89.
Os números da comparação, separados um por linha, ficam assim:
| Valor pedido e depositado na conta | R$ 8.000,00 | | Prêmio do seguro prestamista, 4% | R$ 320,00 | | Valor efetivamente financiado | R$ 8.320,00 | | Taxa contratada | 2,99% ao mês | | Parcela sem o seguro, em 24 vezes | R$ 471,87 | | Parcela com o seguro financiado, em 24 vezes | R$ 490,75 | | Total pago sem o seguro | R$ 11.324,89 | | Total pago com o seguro financiado | R$ 11.777,89 | | Custo final da apólice de R$ 320,00 | R$ 453,00 |
A diferença entre as duas colunas é de R$ 453,00 por uma apólice de R$ 320,00. Os R$ 133,00 restantes não são seguro, não vão para a seguradora e não aumentam a cobertura em um centavo.
|
Eles são juro do empréstimo cobrado sobre o prêmio do seguro. O produto foi vendido uma vez e financiado por 24 meses, e a taxa não distingue o real que virou dinheiro na sua conta do real que virou apólice.
|
A parcela de R$ 490,75 chega ao boleto sem separar as duas coisas. O aplicativo mostra o valor mensal, a quantidade de parcelas e um botão de confirmar, e o custo do seguro fica diluído nos 24 pagamentos.
A parte que mais surpreende é a opcionalidade. A apólice não é obrigatória em nenhuma linha de crédito pessoal, e condicionar a liberação do dinheiro à compra dela tem nome no Código de Defesa do Consumidor.
|
"É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos."
Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, art. 39, inciso I, 1990
|
O Banco Central trata a exigência como venda casada e recebe reclamação pelo canal de atendimento ao cidadão, com número de protocolo e resposta obrigatória da instituição.
O gerente costuma apresentar o seguro de duas formas, e as duas soam razoáveis. Uma é a proteção da família em caso de morte do contratante. A outra é a promessa de taxa melhor para quem aceita o pacote completo.
A segunda merece verificação com número na mão. Se a taxa cai de 3,49% para 2,99% ao mês porque você aceitou o seguro, a conta pode fechar a seu favor, e a conta é simples de fazer.
Basta comparar os dois totais pagos: o contrato sem seguro na taxa cheia e o contrato com seguro na taxa reduzida. O menor total vence, e nenhum argumento de tela substitui essa subtração.
|
|
|