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R$ 300 por mês contra a dívida mais cara

Cartão, cheque especial e consignado em fila pelo juro mensal. A mesma sobra quita tudo 1 mês antes e poupa R$ 373,67.

Três cartões em fila, o primeiro em luz vinho.

A sobra vai primeiro para o juro mais alto

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Pela Resolução 4.765 do Conselho Monetário Nacional, de 2019, o cheque especial não pode cobrar mais de 8% ao mês. Pela Lei 14.690, de 2023, o rotativo do cartão de crédito não tem teto de taxa mensal: o limite vale só para a soma final, e os juros e encargos não podem passar de 100% do valor original da dívida.

Uma regra trava o preço por mês. A outra deixa o preço mensal solto e trava apenas o total acumulado.

Na mesma carteira, as duas linhas convivem com uma terceira, o consignado (o empréstimo com parcela descontada direto do salário ou do benefício do INSS). No consignado de aposentados, o teto mensal é fixado pelo Conselho Nacional de Previdência Social e fica abaixo de 2% ao mês.

O Banco Central publica toda semana a taxa média que cada banco cobra em cada uma dessas modalidades. A tabela serve aqui como fonte, e ela mostra a mesma ordem em qualquer banco da lista: o cartão no topo, o cheque especial no meio e o consignado lá embaixo.

A cena que pede essa ordem é comum. Uma pessoa fecha o mês com R$ 2.000 no rotativo, R$ 1.500 no cheque especial e um consignado de R$ 10.000 descontado em folha.

Ela paga só os juros das duas dívidas rotativas, R$ 360 por mês, e o saldo não anda. Um dia sobra um dinheiro novo no orçamento: R$ 300 por mês, todo mês.

A pergunta prática é onde colocar esses R$ 300. O instinto manda quitar primeiro a dívida menor, porque ela some rápido e dá a sensação de progresso.

A conta aponta outra direção. Cada real pago numa dívida rende exatamente o juro que aquela dívida cobraria sobre ele, e a dívida mais cara rende mais por real pago.

Antes de chegar aos reais, vale ver a fila inteira, com a taxa mensal de cada modalidade e a regra que segura ou solta cada uma. Ela abre a seção de baixo.

Continue lendo ↓

 
 

I  Ranking do Juro

Três dívidas em fila pelo juro mensal

A conta desta edição usa três taxas mensais redondas, escolhidas dentro das faixas que o Banco Central publica para cada modalidade. O valor exato muda de banco para banco, mas a posição de cada dívida na fila não muda.

Em fila, da mais cara para a mais barata:

Rotativo do cartão12% ao mês
Cheque especial8% ao mês
Consignado1,8% ao mês

O rotativo é o crédito que o banco abre quando a fatura não é paga inteira. A Lei 14.690 obriga o banco a parar de cobrar juros quando eles alcançam o valor da dívida original, mas até esse ponto a taxa mensal é livre.

A 12% ao mês, quem paga só os juros de R$ 2.000 entrega ao banco o valor inteiro da dívida em pouco mais de 8 meses. O teto de 100% da lei protege contra a dívida infinita, e mesmo assim permite pagar duas vezes o que se gastou.

No rotativo, cada R$ 100 parados custam R$ 12 por mês, e o cheque especial cobra R$ 8 pelos mesmos R$ 100.

O cheque especial vem logo abaixo. A Resolução 4.765 limitou a taxa a 8% ao mês e permitiu que o banco cobre uma tarifa sobre o limite que passar de R$ 500, mesmo sem uso.

O consignado fica no fim da fila por causa da garantia. Como a parcela sai do salário antes de chegar à conta, o risco de calote cai, e o banco cobra uma fração da taxa das outras duas.

A distância entre o primeiro e o último lugar é grande. A 12% contra 1,8%, o rotativo cobra mais de 6 vezes o juro do consignado sobre o mesmo saldo.

Essa diferença explica por que muita gente troca dívida cara por consignado quando tem margem disponível. A troca funciona quando a dívida cara é quitada de vez e o limite do cartão não volta a ser usado no mês seguinte.

A fila também mostra o que a ordem não leva em conta. O tamanho do saldo não entra no cálculo de prioridade, só a taxa. Uma dívida pequena e cara passa na frente de uma grande e barata.

“Quem vai pedir emprestado vai buscar tristeza.”

Benjamin Franklin, O Caminho da Riqueza, 1758

Franklin escreveu o conselho no almanaque que publicava todo ano na Filadélfia. A fila acima mede o tamanho da tristeza: ela é maior onde a taxa mensal é maior.

 
 

II  Juro em reais

R$ 373,67 que a ordem economiza

A pessoa da cena tem R$ 660 por mês para as duas dívidas rotativas: os R$ 360 que já pagava de juros mais os R$ 300 novos. O consignado segue descontado em folha, sem mudança.

Há duas formas de usar o dinheiro. Na primeira, ela ataca o cheque especial, a dívida de saldo menor, e paga só os juros do cartão até o cheque acabar.

Na segunda, ela ataca o cartão, a dívida de juro maior, e paga só os juros do cheque especial até o cartão acabar. A soma mensal é igual nas duas: R$ 660.

Atacando o saldo menor primeiro, o cheque especial some no 5º mês. O cartão fica parado em R$ 2.000 até lá, cobrando R$ 240 por mês, e só zera no 9º mês.

Atacando o juro maior primeiro, o cartão cai para R$ 1.700 no 1º mês, R$ 987,68 no 3º e zera no 6º. O cheque especial, parado em R$ 1.500 até lá, zera no 8º mês.

Com a mesma sobra de R$ 300, atacar o cartão primeiro quita as duas dívidas 1 mês antes e economiza R$ 373,67 em juros.

Os juros totais mostram a diferença. Pela ordem do saldo menor, a pessoa paga R$ 2.023,60 de juros até zerar tudo. Pela ordem do juro maior, paga R$ 1.649,93.

A diferença vem de um efeito simples. Cada real que sai do cartão deixa de render 12% contra o devedor, e cada real que sai do cheque especial deixa de render 8%. O mesmo real pago compra mais economia no topo da fila.

Há uma terceira opção que parece prudente e custa caro: usar os R$ 300 para antecipar parcelas do consignado. A 1,8% ao mês, cada R$ 300 antecipados poupam cerca de R$ 5,40 de juro por mês.

Enquanto o dinheiro vai para o consignado, o cartão e o cheque especial continuam cobrando R$ 360 por mês. Em 8 meses, são R$ 2.880 de juros pagos, e as duas dívidas seguem com o saldo original de R$ 3.500.

A ordem pelo saldo menor tem um defensor conhecido. O método bola de neve (quitar a menor dívida primeiro, pela sensação de vitória rápida) é popular porque o primeiro saldo zerado chega cedo e motiva.

Na conta desta edição, a vitória rápida custa R$ 373,67. Quem precisa do empurrão emocional pode pagar esse preço sabendo quanto ele vale.

 

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III  Porta de Saída

A sobra na ordem certa em 4 passos

A ordem só funciona se a sobra de R$ 300 for fixa e se nenhuma dívida nova entrar no lugar das antigas. Os passos abaixo cuidam das duas condições.

1. Liste cada dívida com o saldo e a taxa mensal. A taxa está no extrato do cartão, no contrato do cheque especial e no demonstrativo do consignado, sempre informada como Custo Efetivo Total (a taxa com juros, tarifas e impostos somados).

2. Ponha as dívidas em fila pela taxa mensal, da maior para a menor, e ignore o saldo. Em caso de empate, a de saldo menor vai primeiro.

3. Pague só o mínimo exigido em todas, menos a do topo. A do topo recebe o mínimo mais a sobra inteira, todo mês, até zerar.

4. Quando a primeira zerar, some o que ia para ela à parcela da segunda. O valor total mensal não diminui, só muda de destino.

A sobra de R$ 300 só rende o juro da dívida do topo enquanto o limite que ela libera continua sem uso.

Há um risco no passo 3. Quem quita o cartão e volta a usar o limite no mês seguinte reabre a dívida mais cara da fila, e a economia evapora.

Bloquear o rotativo ou baixar o limite do cartão logo depois da quitação fecha essa porta. O mesmo vale para o cheque especial: o banco reduz ou cancela o limite a pedido do cliente.

Quando sobra margem consignável, a troca entra em cena. Um consignado novo a 1,8% para quitar o rotativo a 12% derruba o juro mensal da dívida inteira, desde que o cartão fique bloqueado depois.

O consignado tem um custo próprio: a parcela sai do salário por anos e reduz a margem para outro crédito. A troca vale quando quita a dívida cara de vez, e perde o sentido se o limite do cartão voltar a encher.

Qual das suas dívidas está cobrando mais por mês sobre cada R$ 100 de saldo?

A resposta está na taxa mensal impressa no extrato de cada uma, e ela decide para onde vai o próximo real da sobra.

R$ 373,67. Foi quanto a mesma sobra de R$ 300 por mês economizou em juros ao atacar o cartão a 12% antes do cheque especial a 8%, pela conta desta edição.

 
 
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Quiz da edição

Com a mesma sobra de R$ 300 por mês, quanto a ordem que ataca primeiro o cartão economiza em juros a mais que a ordem que quita primeiro o cheque especial?

AR$ 2.023,60
BR$ 300,00
CR$ 373,67
DR$ 1.649,93

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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